Jesuíno Brilhante: comida nordestina simples e autêntica

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O pequeno sobrado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, não chama a atenção. A não ser pelas filas que se formam em frente dele, aos sábados na hora do almoço. Com pequenas mesas e jeitão de casa, o salão comporta poucos comensais, de maneira casual, nas mesas rústicas que parecem colocadas de maneira improvisada para um almoço de família. A decoração não é descuidada, no entanto. Pequenos objetos e móveis descombinados dão charme ao restaurante que serve comida nordestina simples, autêntica e a valores justos.

Do salão é possível avistar a cozinha, pequena e a todo vapor, de onde saem os quitutes sertanejos e um tanto de fumaça que pode incomodar os menos casuais. O serviço é rápido e eficiente. O cardápio acertadamente enxuto não facilita a escolha: os pratos são poucos, mas é tudo tão tentador que fica difícil decidir. Aliás, como nos cartazes que adornam o caixa, onde é possível comprar algumas delícias para levar para casa, a identidade visual do cardápio remete aos cordéis, espertamente.

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São cinco as opções de “mistura”: carne de sol na chapa, R$ 27, carne de sol na nata (carne de sol assada, desfiada e cozida na nata), R$ 24, paçoca de carne de sol (carne de sol moída e refogada com manteiga de garrafa, cebola roxa e farinha de mandioca), R$ 22, porco de sol na chapa, R$ 25, e guisado do dia, R$ 20, que, no caso, era língua. Escolhe-se a mistura e dois acompanhamentos (o valor da mistura já inclui os acompanhamentos): arroz de leite (arroz vermelho cozido no leite fresco com nata e queijo de coalho), arroz branco, cuscuz nordestino (cuscuz de flocos de milho temperado com tomate, cambuci e coentro), farofa, feijão de corda (feijão macaça com manteiga de garrafa, coentro, cebola roxa e farinha) e macaxeira cozida.

Há ainda uma opção de sanduíche de carne de sol na nata, R$ 12, e tira-gostos: bolinho de arroz vermelho do sertão, R$ 12, bolinho de feijão de corda com paçoca, R$ 14, e queijo coalho assado (duas fatias), R$ 12.

Estávamos em três, e escolhemos, para começar, o bolinho de feijão de corda com paçoca. A porção não é grande, então é possível pedir outras, se a fome for grande. Os bolinhos estavam sequinhos, crocantes e saborosos. Um ótimo início de refeição, que pode ser acompanhado de cerveja gelada de garrafa (R$ 10), cachaça prata, ouro ou envelhecida (R$ 7 e R$ 9) ou cajuína na versão refrigerante lata ou litro (R$ 5 e R$ 12) ou na versão suco integral (R$ 10).

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Para o prato principal, decidimos pela clássica carne de sol na chapa, mas confesso que fiquei tentada a pedir a língua, e já ouvi falar muito bem do porco de sol também. Para os acompanhamentos, escolhi o arroz de leite (um queridinho que havia provado pela última vez há quase sete anos, quando fiz minha última viagem para Natal) e feijão de corda. O Marcelo pediu o arroz branco e a farofa e meu pai, o arroz de leite e a farofa. Estava tudo bom. A carne tem boa altura e é suculenta e macia, ao contrário da carne de sol do Mocotó, que vem esturricada (esse definitivamente não é o forte do restaurante da Vila Medeiros). Os acompanhamentos, bem como a carne, são autênticos e bem executados. A quantidade é boa e o preço é excelente se considerada a qualidade da comida. Não dá pra dizer que a carne de sol é superior à servida no Rio Grande do Norte, mas aqui em São Paulo, definitivamente é a melhor que eu comi – e por um preço justíssimo, ainda por cima.

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Há quatro opções de sobremesa: quebra-queixo (doce de coco queimado puxa-puxa), R$ 5, burra preta (pão de melado de cana com especiarias embebido em café e servido com nata fresca e melado), R$ 10, caju-ameixa com queijo coalho, R$ 13, e cocada cremosa com queijo coalho, R$ 12.

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Escolhi, às escuras, a burra preta, e acertei em cheio. Aparentemente essa é a sobremesa carro-chefe da casa, e não é a toa. A combinação do pão aromático com café, nata e melado é insuperável. De dulçor moderado e equilibrada em textura e sabor, a sobremesa é uma perdição.

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O Marcelo dispensou sobremesa e meu pai pediu a cocada com queijo, que estava divina também. Apesar de mais doce, a cocada cremosa não excedia no açúcar e tinha textura que abraçava a boca por dentro. O queijo coalho tostado na medida era o complemento perfeito, crocante por fora e derretido por dentro, salgadinho o suficiente para contrabalancear a cocada.

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Para almoçar aos sábados no Jesuíno é necessário chegar cedo. Chegamos ao meio dia e ainda havia algumas mesas. A partir das 13h a fila já era grande e às 14h, no momento em que íamos embora, havia uma espera de cerca de uma hora e meia. Então, chegue cedo ou conforme-se com o fato de que irá esperar bastante. Se você morar ou trabalhar na região e puder ir durante a semana, melhor ainda. Não perca a oportunidade de conhecer a comida boa e barata de lá, a não ser que você deteste esse tipo de comida. Nesse caso, o que há de errado com você, cara?


JESUÍNO BRILHANTE

Rua Arruda Alvim, 180, Pinheiros – São Paulo, SP

Tel: (11) 2649-3612

Segunda a Sábado, das 12h às 15h

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