Em busca do hambúrguer perfeito #6: Meats

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E lá vamos nós, nessa saga ingratíssima que é procurar o hambúrguer perfeito. O escolhido da vez foi o Meats, restaurante de Paulo Yoller que conquistou uma legião de fãs, mas também coleciona críticas mordazes da imprensa especializada. Depois do sucesso da casa em Pinheiros, bem próxima ao concorrente Z Deli, o Meats abriu uma filial no Jardins. E foi essa que fomos conhecer.

O salão tem dois andares e espaço confortável para receber um grande número de comensais, ávidos por carne em forma de disco. As referências industriais foram bem aplicadas na decoração, em forma de revestimento de aço galvanizado, azulejos brancos, móveis vintage e tubulação de iluminação aparente. O que chama a atenção, no entanto, é o grande letreiro que adorna o bar, que contribui com a pouca iluminação do ambiente, que por isso, se torna intimista.

Como fizemos a visita durante a semana, entre o almoço e o jantar, fomos prontamente atendidos e a comida chegou à mesa muito rapidamente. O serviço foi eficiente.

A fome era grande e a missão de fazer um relato completo para vocês, maior ainda, por isso decidimos pedir uma refeição completa: entrada, prato e sobremesa. Para começar, escolhi o Havana’s Cob: milho doce envolto em aioli, queijo do Salitre e gema de ovo mole (R$ 19). O Marcelo pediu um clássico: Onion Rings acompanhadas de maionese da casa (R$ 16 e R$25). Queria provar uma das cervejas Amazon (Açaí Stout, Bacuri, Priprioca Red Ale e Taperebá Witbier), mas nenhum estava disponível, então escolhi uma básica Brooklin East IPA (R$ 16). A carta de cervejas é extensa para uma lanchonete, mas é uma pena que os produtos nacionais, que deveriam ter preferência, estavam em falta.

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A apresentação do milho é um tanto quanto espalhafatosa. Além da chave de fenda que serve como “segurador” de maneira muito esquisita, apesar de eficiente, a chuva de queijo no prato é um pouco carnavalesca demais para o meu gosto. O sabor, no entanto, é bom. O milho é assado no ponto certo, de textura macia e sabor adocicado. O aioli que o cobre é generoso e faz as vezes da tradicional manteiga no milho cozido, com o diferencial de se manter no milho ao invés de escorrer e fazer a maior sujeira. O queijo do Salitre é também abundante, e cola no aioli, de forma que saboreá-lo torna-se surpreendentemente fácil. A combinação milho doce, aioli saboroso e queijo de boa qualidade é ótima e deixa gostinho de “quero mais”. Nem precisava da gema de ovo mole, mas não vou negar que sua cremosidade e suntuosidade enriquecem o prato de modo muito satisfatório.

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As onion rings (meia porção) são corretíssimas: sequinhas, hiper crocantes e macias por dentro. A maionese é bastante boa. Nada novo por aqui, apenas o clássico bem feito. Só acho que a porção poderia ser um pouco mais generosa para valer os 16 reais.

Foi bastante difícil escolher dentre as dezesseis opções de hambúrgueres sugeridas pelo chef. Além delas, é possível pedir o básico: hambúrguer (R$ 22), cheeseburger (R$ 27,50) e BLT (R$ 31), acrescentados ou não de complementos como bacon, ovo e salada.

O Marcelo escolheu o Hooligan: pão de mandioquinha, hambúrguer, cheddar inglês, picles, bacon e maionese de horseradish (R$ 34,50). Praticamente um clássico. Pão macio, hambúrguer entre mal passado e ao ponto (conforme explanado no momento do pedido), bom picles, bacon da casa bem feito e boa maionese. O cheddar ele pediu para tirar porque, caso vocês não saibam ainda, ele não come queijo.

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Eu resolvi fazer uma escolha esdrúxula, e fui no improvável PBJ, que homenageia o clássico sanduba norte-americano que leva manteiga de amendoim (o PB, de peanut butter) e geleia (o J, de jam): pão de mandioquinha, hambúrguer, manteiga de amendoim, geleia, picles, cheddar e bacon (R$ 30). Pra começar, o sanduíche é generoso: bom tamanho e hambúrguer, pão e complementos na medida da minha fome. O hambúrguer veio novamente no ponto correto, e só me incomodei novamente com a apresentação, um pouco afetada para uma comida que deveria ser simples (na foto, eu já havia juntado os elementos e formado o sanduíche como deveria ter sido servido). Incrivelmente, a mistura esquisita deu certo, e a doçura da geleia foi bem complementada pelos outros elementos. O picles deu o toque de acidez e o bacon, a crocância defumada que todo bom hambúrguer pede. Fui positivamente surpreendida, especialmente porque sou contra a excessiva gourmetização que tomou conta das comidas simples, como os hambúrgueres. Pode ser só invencionismo babaca ou pode ser invencionismo que faz sentido, que é o caso aqui.

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Tentei fugir do óbvio na sobremesa também, e acabei escolhendo o True Love: sorvetes de baunilha, chocolate belga e macadâmia, farofa doce de bacon, calda de cajuína e tiras de bacon (R$ 24). O sorvete é Häagen-Dazs. Não senti o sabor da cajuína, e praticamente o resultado da mistura é um contraste de doce e salgado extremos, e da cremosidade do sorvete com a crocância do bacon e da farofa. Os opostos acabam por não se complementar de maneira agradável. Eles apenas brigam na boca, como se não pertencessem ao mesmo prato. Ao contrário do que acontece no PBJ, a mistura excêntrica não funciona, apesar de não ser totalmente desagradável. Definitivamente não é a melhor escolha que você pode fazer (apesar de eu não ter provado nenhuma outra sobremesa para saber se há escolha melhor, de fato).

No geral, o restaurante parece acertar na aura e ambiente e possui um serviço correto e um cardápio extenso. Os produtos usados são de qualidade, vistos o pão, o bacon (produzido por eles mesmos), o sorvete e o queijo, e os invencionismos do chef ora se pagam, ora não. Seria interessante poder provar mais itens do cardápio antes de dar o veredicto, e frequentá-lo em horários mais críticos para confirmar a qualidade do serviço, mas, nessa primeira visita, posso afirmar que fiquei mais contente do que imaginava. Apesar de fazer bastante sucesso com o público, em geral, a crítica costuma não gostar dos hambúrgueres do Paulo Yoller, e foi legal comprovar que nenhum dos lados está completamente certo. Veremos o que nos aguarda nas próximas visitas.

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