Imperdíveis da Netflix #2: séries que você provavelmente não viu

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O imenso catálogo da Netflix possibilita uma infinidade de escolhas, das mais óbvias às mais esdrúxulas, mas, mais que isso, causa horas de indecisão e, acabamos, muitas vezes, levando mais tempo para escolher o que ver do que propriamente vendo algo. Para evitar isso, muitas vezes me rendo às recomendações que aparecem em destaque, na ocasião do lançamento de determinado filme ou série. E a vantagem do serviço de streaming ilimitado é justamente poder desistir do que se escolheu sem nenhum ônus – a não ser os minutos perdidos. Para evitar decepções, criei a série “Imperdíveis da Netflix”, que aparece hoje em sua segunda edição. Hoje, recomendarei cinco séries ótimas que se destacaram entre as últimas coisas que assisti nos últimos meses. E, o mais legal, você provavelmente não as conhece. É provável que tenha ouvido falar, mas conheço pouca gente que assistiu à maioria dessas séries e, como nos aproximamos do fim do ano, quando muita gente tira férias ou entra em recesso, nada como boas recomendações para aproveitar aqueles dias preguiçosos enterrado no sofá, não é mesmo? Aí vai. Prepare a pipoca e aproveite!

EASY

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Essa série cômico-dramática, criada, roteirizada e dirigida por Joe Swanberg, diretor de filmes independentes como Um Brinde À Amizade (Drinking Buddies, 2013), Um Novo Começo (Happy Christmas, 2014) e Quem Procura Acha (Digging for Fire, 2015), possui oito episódios independentes, que giram em torno de relacionamentos entre pessoas de 20 e 30 e poucos anos.

Com trinta minutos de duração, cada episódio ter formato narrativo de crônica, retratando situações corriqueiras de casais ou solteiros se relacionando em Chicago, geralmente dando ênfase a problemas como gravidez indesejada, insatisfação com a carreira, problemas sexuais no casamento, e por aí vai. As histórias honestas fazem o espectador se identificar imediatamente, e embora não prevaleça nem um humor muito acentuado nem um tom exageradamente dramático, há bastante sensibilidade e nada de afetação na abordagem desses personagens comuns, interpretados por atores como Elizabeth Reaser, Michael Chernus, Dave Franco, Orlando Bloom, Malin Åkerman, Kate Micucci e Jane Adams. A série é um pouco irregular, com alguns episódios bem superiores a outros, mas ainda assim é uma excelente pedida.

MASTER OF NONE

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Aziz Ansari, bastante conhecido por seus shows de stand up e também por trabalhos como a série Parks and Recreation (2009-2015), é o co-criador e atua como protagonista nessa série de comédia dramática, que foi ao ar na Netflix em novembro de 2015, com dez episódios, e está prevista para voltar, em nova temporada, em 2017.

Embora não goste muito do seu trabalho nos palcos, achei bastante acertado o tom adotado em Master of None. O personagem e alter ergo de Aziz, Dev, é um ator que vive de comerciais de TV enquanto busca trabalhos mais significativos, e a abordagem exagerada e espalhafatosa que Aziz costuma adotar não aparece aqui. Mais contido e realístico, Aziz encarna o personagem com muita honestidade e o torna adorável e muito engraçado, ao mesmo tempo. Os amigos peculiares de Dev enriquecem a trama, trazendo à tona situações cômicas e, ao mesmo tempo, questionadoras, e o romance em que Dev embarca lá pela metade da temporada não é nada açucarado e, por isso, como em Easy, torna os personagens e as situações muito relacionáveis. A maneira como o enredo evolui, aliás, com ritmo excelente, é um dos grandes trunfos da série, que faz com que ela se torne altamente viciante. O desfecho inesperado é um dos melhores finais de temporada dos últimos tempos, e é quase inacreditável que depois de um ano a segunda temporada não tenha saído. Cruzem os dedos.

BILLIONS

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Paul Giamatti e Damian Lewis encarnam a dupla de protagonistas dessa série da Showtime, que estreou em janeiro desse ano e foi adicionada ao catálogo da Netflix no meio do ano. O personagem de Damian Lewis (do ótimo Homeland), Bobby “Axe” Axelrod, é o proprietário bilionário de uma corretora de valores que usa meios ilegais para multiplicar os lucros dos investimentos que gerencia. Charles “Chuck” Rhoades Jr., interpretado pelo excelente Paul Giamatti é um promotor federal que tem um interesse especial em processar criminosos de colarinho branco, e uma vontade particular de ser bem sucedido em suas investidas contra Axe. A esposa de Chuck, Wendy Rhoades (Maggie Siff), uma psiquiatra bem sucedida que trabalha como coach na empresa de Axe há 15 anos, no entanto, representa um ponto de desequilíbrio, por conta dos óbvios conflitos de interesse que se interpõem entre ela e o marido.

Além da excelente premissa, a série é muito bem escrita, produzida e dirigida. De uma certa forma, é possível compará-la a séries políticas, como House of Cards, por exemplo, já que o elemento “poder” é o que faz esse universo funcionar. Por outro lado, a série apresenta uma característica fetichista, que vai muito além das práticas sadomasoquistas entre Chuck e Wendy. Ao representar a realidade bilionária de Axe e daqueles que vivem nesse mundo exclusivo e restrito, a série sacia a curiosidade dos espectadores, meros mortais. A seriedade das investigações e dos conflitos entre Chuck e Axe – que depois se estendem para Wendy, o pai de Chuck e uma série de inimigos que Axe conquistou no decorrer dos anos – é amenizada positivamente, em prol do entretenimento, com as histórias paralelas e a demonstração material do que as grandes fortunas podem comprar. Chega a ser engraçado, de tão absurdo, e a série faz isso sem cair no ridículo ou sem perder o teor político. Billions é a série ideal para descontrair, sem fazer você sentir que desligou o cérebro.

HATERS BACK OFF

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Miranda Sings é um personagem criado por Colleen Ballinger para o YouTube. Miranda é uma anônima narcisista sem talento que posta vídeos e, na vida real, ganhou mais de sete milhões de espectadores. Na série, Miranda atrai apenas haters, a princípio, e não consegue entender o por quê, mesmo com a péssima qualidade dos vídeos, a voz insuportável e zero carisma. Com ela, vivem o tio que projeta na sobrinha o desejo de ser famoso, a mãe, submissa e insegura, e a irmã mais nova, aparentemente a única pessoa sã da casa. Miranda tem ainda um amigo que nutre por ela uma paixão platônica.

Esquisita, e um tanto constrangedora, a série, à primeira vista, assusta. Demora um tempo para entender o tratamento peculiar que é dado aos personagens e às situações. Tudo parece exagerado e de mal gosto. Mas, ao se dar uma chance, a série se mostra engraçada e comovente, em um formato pouco provável e usual. Os personagens, com exceção de Emily (Francesca Reale), a irmã de Miranda, inspiram, no espectador, raiva, irritação ou pena. Ao mesmo tempo, é compreensível que ajam da maneira como agem, e, conforme a história se desenrola, eles se mostram cada vez mais humanos. Hater Back Off não é para todos, mas se você procura algo diferente de tudo que está no ar, pode ser uma boa aposta.

LOVE

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Co-criada por Judd Apatow, de O Virgem de 40 Anos (O Virgem de 40 Anos, 2005), Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007), Tá Rindo do Quê? (Funny People, 2009), entre outros, a primeira temporada da série (uma segunda temporada está prevista para estrear no ano que vem) nos apresenta a Gus (Paul Rust) e Mickey (Gillian Jacobs). Gus acabou de sair de maneira trágica de um relacionamento longo e Mickey está no vai-e-vem de um relacionamento nada saudável. Ambos se encontram casualmente e tornam-se amigos.

De ritmo mais lento, a série demora a engatar. Um relacionamento amoroso entre os protagonistas parece muito improvável, e as manias e inseguranças de cada um deles causa um estranhamento posteriormente justificado. Apesar do problema de ritmo, que se resolve a partir do segundo ato da temporada, a série é muito bem escrita e dirigida, e um sopro de alívio por abordar o tema de maneira nada clichê, despretensiosa e deliciosa. E, para completar, a trilha sonora é excelente.

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2 comentários sobre “Imperdíveis da Netflix #2: séries que você provavelmente não viu

  1. Boa dicas! Só não assisti Billions ainda, mas quero conferir o piloto.
    Adoro Master of None! O Aziz acertou o tom!
    Easy realmente é um pouco irrelugar mas gosto do estilo meio desleixado do diretor. Haters Back Of realmente não agradará qualquer um e irrita mais do que dá vontade de rir, sendo essa a proposta.
    Love é uma dramédia agridoce que se não é ótima, cumpre seu papel de boa. Nada muito certinho acontece!

    Curtido por 1 pessoa

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