Petí: uma gema de restaurante

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Você chega e, desavisado, dá de cara com uma loja de insumos artísticos. Confere o endereço, e certifica-se de que está no lugar certo. Mas… Onde está o restaurante? O site indica: dentro da Pintar Materiais Artísticos. Inusitado! Minha primeira vez no Petí não foi assim, mas a da minha amiga, que me acompanharia no almoço, foi! Ele já estava na minha lista fazia muito tempo, e achei que serviria como uma luva para o encontro. Tenho amigos que moram lá perto e sempre elogiam a comida e, principalmente, o quanto ela custa. O fato de ficar praticamente no quintal da casa deles, ajuda na alta frequência. Também já havia ouvido profusão de elogios de uma amiga que conhece o chef intimamente: ela é tia e madrinha dele. Além disso, sabia que o Petí tinha recebido o selo Bib Gourmand do Guia Michelin, categoria que indica os melhores restaurantes a preços acessíveis. Mas, o fato de ele só abrir para o almoço e não estender seus horários aos sábados, me fazia adiar a visita sempre. 

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O ambiente, diminuto mas confortável, funciona melhor para almoços informais. A pequena distância entre as mesas impossibilita uma refeição íntima e romântica, por exemplo. O pé de maracujá que se alastra pelo teto e a caída de água por uma parede de pedras, no entanto, junto com um mural do Speto, dão personalidade ao restaurante e o tornam acolhedor.

Em pleno horário de pico, o serviço é eficiente, mas frio. O alto movimento pode explicar a falta de acolhimento por parte dos garçons. Nada que prejudique a experiência, no entanto.

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O cardápio, que muda frequentemente, apresenta três opções de entrada, três de prato principal e duas de sobremesa, com opções vegetarianas. O menu completo (couvert, entrada, prato e sobremesa) custa R$ 43,50, e o menu reduzido (couvert, entrada e prato ou couvert, prato e sobremesa), R$ 39,50. No dia da visita, as opções soavam bastante tentadoras, e confesso que foi difícil escolher. Acabei me decidindo pela salada de lagostim com chuchu marinado, emulsão de crustáceo e limão cravo. Antes dela, recebemos pães frescos e quentes com azeite e manteiga de ótima qualidade.

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O cuidado com a apresentação reflete o vínculo do restaurante com a loja em que ele está inserido. Bastante à vontade com a montagem, o chef imprime estilo e começa a refeição cativando-nos pelos olhos. Ponto para ele.

O lagostim estava cozido perfeitamente, tenro e suculento. O chuchu era saboroso e, cru, tinha textura agradável, combinado ao crustáceo macio. A emulsão cremosa e levemente ácida complementavam bem o prato, junto com algumas panc’s e um pó que, se não me engano, era spirulina, ou alguma alga que reforçava o sabor característico de mar e contribuía com o sal necessário para acompanhar a doçura do lagostim.

Para o prato principal, escolhi a opção vegetariana: nhoque de ricota artesanal, cogumelos grelhados, espinafre, pinhão e purê de berinjela.

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O nhoque desmanchava na boca e tinha sabor delicado. O molho feito de pinhão era saborosíssimo, cremoso e levemente defumado, o complemento perfeito para o nhoque suave. A cocção de cogumelos e espinafre era correta, o purê de berinjela contrastava agradavelmente com o nhoque e folhas frescas e levemente picantes complementavam com textura. O prato, mais complexo do que aparenta, é um acerto enorme.

Para a sobremesa, escolhi o mousse de banana com banana caramelizada e bolinho de chuva.

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A foto não faz jus ao biscoitinho estilo tuille que finaliza o prato: ele tem formato de cutelo, que também ilustra o logotipo do restaurante. Um toque criativo que adiciona crocância ao prato. O mousse de banana não me surpreendeu. A textura cremosa e aerada correspondia a um bom mousse, mas o sabor sutil e monotônico o tornaram banal. As bananas carameladas, servidas cruas, poderiam ter mais caramelo, já que a sobremesa não tinha açúcar em excesso, e poderia suportar um pouco mais de doçura. Os bolinhos de chuva também não me trouxeram a nostalgia da infância que eu esperava, e não sei se são o complemento ideal para o mousse. As folhas faziam um contraste visual bonito, mas também não somavam qualidades ao prato.

Ainda que a refeição não tenha sido perfeita, é inegável que o chef Victor Dimitrow tem um potencial enorme. Os pratos, incluindo os pães do couvert, foram executados perfeitamente, do ponto de vista técnico, e é visível o seu domínio de um número grande de técnicas, especialmente francesas. A criatividade, tanto para o uso inusitado de ingredientes quanto para a montagem dos pratos, também é uma característica louvável. Certamente a experiência trará bons frutos, com pratos cada vez mais inspirados. E se eles conseguirem manter esses valores, praticamente inacreditáveis para a qualidade da comida que oferecem, tem chances de se tornarem o menu executivo de melhor custa-benefício da cidade.

 

PETÍ

Rua Cotoxó, 110, Pompéia (dentro da loja Pintar Materiais Artísticos)

Tel: (11) 3873-0099

 

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