Imperdíveis da Netflix #1: séries de 2015

séries

O carnaval está chegando e eu mal posso esperar. Para mofar em casa, não para carnavalear por aí. Não curto carnaval, a não ser porque proporciona dias de folga logo no começo do ano, quando você ainda está se recuperando da depressão de fim de férias. E, por isso, pretendo honrá-lo com muita leseira em casa, visitas estratégicas às salas de cinema mais vazias que o usual e eventuais encontros com amigos também avessos à festança que toma conta do nosso país.

Para ajudar quem, como eu, não curte carnaval, criei uma pequena lista com algumas das minhas séries favoritas do ano passado. Todas estão disponíveis no Netflix. Se você costuma assistir a muitas séries e sempre está atualizado em relação ao lançamentos, talvez já conheça todas. Mas, olha, só de escrever sobre elas, me deu vontade de reassistir. Talvez você queira fazer o mesmo!

BETTER CALL SAUL

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O spin-off/prequeal de uma das séries mais cultuadas de todos os tempos não é uma produção original do Netflix, mas foi transmitida pelo serviço quase em tempo real. A AMC exibia os episódios às segundas, e nas terças eles já estavam disponíveis no Netflix. Jogada de mestre para combater a pirataria. Tecnicidades à parte, a série segue a vida de Saul Goodman, o advogado inescrupuloso (ou quase) de Breaking Bad, série campeã de audiência, segundo o meu radar. Dos mesmos criadores de sua antecessora, preserva as mesmas qualidades, em sua até então primeira e única temporada (a segunda vai estrear em 15 de fevereiro): boa história, personagens cativantes, roteiro e direção cuidadosos.

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A Saul Goodman, o protagonista, são adicionadas várias camadas de complexidade, tornando-o, improvavelmente, um dos personagens mais legais da atualidade. Ao lado de Mike e de novos personagens, Saul enfrenta situações adversas do presente, mas os providenciais flashbacks montam o cenário amplo, o que torna tudo mais emocionante, engraçado e peculiar. Para os fãs órfãos de W. White e J. Pinkerman, Better Call Saul é um prato cheio. E para os loucos que ainda não assistiram a BB, já emendem uma série na outra!

NARCOS

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Wagner Moura é chamariz suficiente para mim. Sou grande fã de seu trabalho há anos e acompanho tudo o que faz sempre com satisfação. A escolha acertada de trabalhos o manteve longe do grande público por certo tempo, mas por outro lado direcionou sua carreira da maneira correta, o que fez com que os constantes bons desempenhos e críticas o levassem ao estado de popularidade que já dura pelo menos nove anos, desde Capitão Nascimento, de Tropa de Elite (2007). Narcos é a segunda produção internacional na qual atua, e a primeira em que interpreta o protagonista. E apesar das críticas ao seu sotaque castelhano, Wagner teve o trabalho elogiadíssimo por uma maioria e reconhecido pelo Globo de Ouro, que o indicou a melhor ator em série de TV dramática.

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Narcos conta a vida de Pablo Escobar, possivelmente o traficante de drogas mais poderoso, cruel e influente de todos os tempos, a partir de sua rápida ascenção, e da intervenção do governo americano nas investigações em território colombiano. Dos dez episódios, dois foram dirigidos por José Padilha, diretor de Tropa de Elite e também produtor da série, e Fernando Coimbra, outro diretor brasileiro, que escreveu e dirigiu o excelente O Lobo Atrás da Porta (2013).

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Apesar das dificuldades de produção, inerentes às obras de ficção que reproduzem fatos e personagens reais, além dos aspectos multiculturais, provenientes de uma equipe e elenco de diversas origens (Brasil, Colômbia, México, EUA), e da temática violenta, a qualidade final da série como um todo, e dos episódios em separado, é altíssima. Há uma unidade entre os episódios, o que torna a história fluida, apesar da janela de tempo grande que aborda na primeira temporada. Não é uma série fácil. Há que ter estômago, para digerir seu texto denso e seu visual agressivo. A recompensa é grande: Narcos é uma das melhores séries que estreou em 2015, com roteiros, direções e atuações excepcionais.

JESSICA JONES

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Jessica Jones faz parte do Marvel Cinematic Universe, e é a segunda série do MCU a ser lançada pelo Netflix. Apesar de a maioria das atenções terem sido dirigidas à sua predecessora, Daredevil, que eu acho boa, mas irregular, Jessica Jones é, para mim, superior. Apesar de conhecer o personagem dos quadrinhos muito superficialmente, considero a adaptação para as telas e para os anos 2010 acertada. A escolha inusitada de Krysten Ritter para o papel é provavelmente o maior trunfo da produção. Mais introspectiva que de costume, ela dá vida a esse personagem sombrio de maneira muito carismática, tornando seus defeitos quase adoráveis e admiráveis. Em tempos em que se discute o feminismo com mais sensatez e acuidade, é essencial que haja mais personagens femininos como ela, badass, independentes e que fogem totalmente do padrão estético usualmente adotado na ficção.

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Embora haja personagens secundários sérios e igualmente sombrios, a série tem a leveza necessária a histórias baseadas em quadrinhos. Há um equilíbrio entre drama, suspense, ação e romance suficiente para entreter com conteúdo. Não há episódios muito mais fracos que outros, o que faz com que ela flua bem e desapercebidamente rápido. Uma ótima opção para maratonas preguiçosas.

MAKING A MURDERER

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Essa docu-série é um produção original do Netflix que estreou em dezembro do ano passado e rapidamente atraiu um bom público. Mas se você ainda não assistiu porque não se interessou ou porque não sabia de sua existência, faça um favor a si mesmo e assista imediatamente. Mesmo que não goste de documentários. Um aviso, apenas: uma vez que tenha começado, vai ser difícil largar. O que a torna sua companheira de carnaval ideal!

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A premissa é instigante: um homem é condenado a prisão por agressão e tentativa de homicídio e dezoito anos depois é exonerado graças a um teste de DNA indisponível na época de sua condenação. Após sua soltura, o ex-condenado, Steven Avery, entra com ação civil contra o departamento do xerife e a promotoria, e durante o andamento do processo, uma mulher é assassinada no condado de Manitowoc, onde vive, e ele se torna o principal suspeito.

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A série retrata, com riqueza de detalhes e um apanhado respeitável de material e entrevistas, as circunstâncias que levaram Avery a sua primeira prisão, o que sucedeu após sua soltura, a investigação do assassinato que o levou à prisão pela segunda vez e todo o julgamento. Ainda que o consumo desse tipo de produto seja algo muito menos costumeiro no Brasil que nos EUA, é impossível não criar uma identificação imediata com as pessoas envolvidas, como se fossem personagens fictícios, e ansiar por resoluções e conclusões, tamanha é a eficácia dos ganchos ao fim dos episódios.

BLACK MIRROR

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Black Mirror é uma série britânica de duas temporadas (mais um episódio especial de Natal), que foi ao ar entre 2011 e 2014, e ganhou notoriedade desde que entrou no catálogo do Netflix. O sucesso foi tamanho que há rumores de que o serviço de streaming vai co-produzir uma terceira temporada.

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Os sete episódios produzidos até hoje têm histórias independentes, mas todos abordam situações que poderiam fazer (ou já fazem) parte de nosso presente ou de um futuro próximo, onde as influências da tecnologia e da forma como nos organizamos socialmente nem sempre levam a resultados positivos. Cada episódio é um pequeno estudo sociológico, antropológico e psicológico, e, de maneira didática, somos introduzidos a teorias de como poderemos estar vivendo caso continuemos a avançar no caminho que estamos traçando como indivíduos e como sociedade. Os vilões nem sempre são óbvios. A conformidade de alguns personagens soa, num primeiro momento, pesarosa, mas logo é identificada em nós mesmos, assim como a obsessão pelo controle, pelas redes sociais, pelo conforto, pelo sucesso.

Black Mirror White Bear

Todas as histórias, algumas mais que as outras, são contadas de maneira magistral, incitando nossa curiosidade, questionando nossos conceitos pré-estabelecidos, e nunca de maneira cansativa ou arrastada. Há um cuidado enorme com direção de arte e montagem, e a direção de atores é sempre boa, independentemente do episódio. Pelo seu caráter único e sua realização impecável, Black Mirror é a minha série favorita de 2015 (ainda que ela não possa ser considerada uma série desse ano), e eu aguardo ansiosamente pela terceira temporada (se ela for mesmo acontecer).

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