Filmes do mês #10

filmes do mês 10

Ok, dezembro é mês de mais folgas que trabalho, e doze filmes parecem bem pouco para quem decidiu não viajar para curtir o marasmo de São Paulo vazia, não ter compromisso nenhum e ficar estatelada no tapete peludo da sala o dia inteiro olhando para a TV. Mas é que dezembro também foi mês de Jessica Jones, Making a Murderer, Black Mirror, episódio especial de Sherlock, retomada de Narcos, Scandal, Grey’s Anatomy e Modern Family, que estavam abandonados. Por isso, só doze filmes. Não teve tela de cinema, mas confesso que o conforto do lar é concorrente pesado, ainda mais em tempos de preguiça assumida e aproveitada. Dezembro foi mês de maratona de Star Wars para assistir ao novo no cinema, documentários (porque não só de filmes pipoca sobrevive-se nas férias), boas surpresas e pequenas decepções. Então, vamos aos filmes?

COWSPIRACY: THE SUSTEINABILITY SECRET (COWSPIRACY: O SEGREDO DA SUSTENTABILIDADE, 2014)

netflix logo

3 estrelas novo

cowspiracy

Cowspiracy, como muitos documentários de grande procura no Netflix, tem como tema o alimento, mais especificamente os provenientes da pecuária em larga escala, e as consequências ambientais de sua produção. De formato simples e eficaz, o filme apresenta números alarmantes quanto ao desmatamento, utilização de água e emissão de gases que contribuem para o aquecimento global necessários ou consequentes da criação de gado, e questiona por que as grandes organizações não-governamentais, que teoricamente deveriam divulgar esses dados, escolhem o silêncio. Essa pergunta, apesar das teorias, não é satisfatoriamente respondida, o que demonstra a limitação do trabalho de pesquisa da equipe, provavelmente pequena e com poucos recursos financeiros. Ainda assim, considero o trabalho honesto, embasado e corajoso.

FOOD, INC. (ALIMENTOS S.A., 2008)

3 estrelas novo

food inc

Cheia de perguntas sem respostas depois de assistir ao Cowspiracy, fui assistir a esse doc de 2008, muito popular no Netflix gringo. Food, Inc. vai além do prisma da pecuária e do meio ambiente e acusa a indústria alimentícia de uma forma geral. São abordados desde as precárias condições onde vivem os animais para abate dos grandes produtores quanto a manipulação a que nós, consumidores, estamos expostos para fazer escolhas específicas que têm como objetivo único e simples o engordamento das contas bancárias de quem manda no mundo: as grandes corporações que detém a produção de alimentos do mundo. A produção conta com entrevistados do nível de Michael Pollan, autor do best seller O Dilema do Onívoro que, por sinal, também faz uma aparição em Cowspiracy (e uma série de docs dessa linha), e uma equipe experiente. Foi indicado a vários prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Documentário, e ganhou alguns.

SOMEONE MARRY BARRY (ALGUÉM PARA FICAR COM BARRY, 2014)

netflix logo

1 estrela novo

someone marry barry

A premissa dessa comédia despretensiosa poderia funcionar se fosse bem explorada. Mas não é. O roteiro fraco não se salva com uma direção insossa e um elenco ruim. As piadas escatológicas e os personagens caricatos são tão inapropriados quanto Barry, o protagonista. Mas caso você ainda tenha vontade de conferir o filme, recomendo não assistir ao trailer, ainda que ele esteja linkado aí em cima. Ele nada mais é que um resumo do filme com todas as suas melhores (ou menos piores) piadas.

STAR WARS: EPISODE IV – A NEW HOPE (GUERRA NAS ESTRELAS, 1977)

netflix logo

4 estrelas novo

star wars 4

Confesso que nunca tive uma ligação muito forte com a franquia de Star Wars. A primeira vez que assisti aos filmes foi na época do lançamento do episódio I, em 1999. Aluguei, provavelmente em VHS, os filmes IV, V e VI para assistir a A Ameaça Fantasma no cinema, como muita gente fez recentemente, com o lançamento do sétimo filme da saga. Ficção científica não é o meu gênero de preferência, e ainda que os filmes tenham uma linguagem universal e muita aventura e ação além da ficção científica propriamente dita, nunca me identifiquei muito com esse universo. Eis que o primeiro filme (e quarto episódio) aparece como sugestão no Netflix, e decidimos que é interessante rever tudo antes do episódio VII no cinema. Surpreendentemente, gostei de revê-los. Ainda não os amo, mas consigo apreciá-los de outra maneira, hoje. Uma Nova Esperança, ou Guerra nas Estrelas, como foi lançado no Brasil, na época, foi o filme que mais gostei de rever.

STAR WARS: EPISODE V – THE EMPIRE STRIKES BACK (O IMPÉRIO CONTRA-ATACA, 1980)

3 estrelas novo

star wars 5

O segundo filme, e quinto na ordem, era o mais esperado, por causa da revelação mais surpreendente da cultura pop dos últimos tempos. Eu queria lembrar da sensação que tive quando descobri que Darth Vader era pai de Luke, mas é claro que isso é impossível, infelizmente. No entanto, ainda considero O Império Contra-Ataca um bom filme. Tecnicamente, a trilogia inicial é impressionante, e mesmo que tenhamos assistido a versões remasterizadas, é notável a beleza dos cenários, a precisão dos efeitos e a grandiosidade majestosa das produções.

STAR WARS: EPISODE II – ATTACK OF THE CLONES (STAR WARS: EPISÓDIO II – ATAQUE DOS CLONES, 2002)

2 estrelas novo

star wars 2

Seguimos uma das ordens recomendadas por quem entende mais do assunto que nós, e deixamos o episódio VI por último. Pulamos o primeiro episódio porque ele é ruim e desnecessário ao entendimento e apreciação da trama como um todo. E porque não tínhamos ainda assistido ao episódio III – sim, a gente seguiu a vida sem assistir ao episódio III -, quisemos correr com a maratona. O episódio II, além do péssimo Hayden Christensen, tem uma direção relaxada e é o segundo pior da saga, só ficando atrás do primeiro episódio. Curiosamente, lembro-me de ter apreciado mais o filme quando o vi na época do lançamento. E estranhamente, apesar disso, desprezei o episódio seguinte até então.

STAR WARS: EPISODE III – REVENGE OF THE SITH (STAR WARS: EPISÓDIO III – A VINGANÇA DOS SITH, 2005)

3 estrelas novo

star wars 3

O episódio III recebeu a mesma nota que a maioria dos outros filmes da saga por causa de sua relevância na saga, e porque, apesar de Hayden Christensen, novamente, a direção é mais cuidadosa. A transformação de Anakin em Darth Vader é inegavelmente um marco, e por isso a segunda trilogia termina bem.

STAR WARS: EPISODE VI – RETURN OF THE JEDI (O RETORNO DE JEDI, 1983)

3 estrelas novo

star wars 6

Terminar a maratona com O Retorno de Jedi, considerado por muitos o melhor filme da franquia, foi pertinente. É interessante ter os fatos do episódio VI frescos na memória antes da conclusão da primeira trilogia. O primeiro ato desse filme é dos meus preferidos, mas considero o filme cansativo, de maneira geral, especialmente o terceiro ato que, apesar de longo e arrastado, termina bem, com saudosismo e uma certa poesia.

THE LITTLE DEATH (A PEQUENA MORTE, 2014)

3 estrelas novo

the little death

Essa inusitada comédia romântica deixa os enlatados no chinelo, com um roteiro inteligente, uma direção sensível e um ótimo elenco. Aqui, diversas pequenas histórias de amor desenrolam-se paralelamente, e são costuradas de maneira orgânica e eficiente. Cada uma das histórias (umas mais que outras) tem seu charme particular, sua desenvoltura e seu apelo. É possível rir alto, mas também é possível se emocionar, de maneira contida ou exagerada. Um ótimo exemplo de que os filmes do gênero não precisam ser baseados sempre na mesma estrutura e caretisse.

JEFF, WHO LIVES AT HOME (JEFF E AS ARMAÇÕES DO DESTINO, 2011)

netflix logo

1 estrela novo

jeff who lives at home

O envolvimento do co-diretor e co-roteirista Mark Duplass em projetos indie é vasto: de produtor executivo a ator, passando por roteirista e/ou diretor. Embora muitos deles tenham premissas interessantes (Cyrus, 6 Years, The One I Love, The Skeleton Twins, Safety Not Guaranteed), nenhum chega a ser, de fato, relevante. Há, boas intenções na maioria deles, mas nenhuma novidade. Como eles, Jeff, Who Lives at Home, é bem intencionado, mas não se desenvolve da maneira como esperamos. A falta de profundidade dos personagens não colabora para o envolvimento do espectador, e o formato assemelha-se em vários aspectos com os filmes acima citados, como se seguir uma fórmula para filmes indie fosse mais importante que criar algo novo, que se distancie do mainstream. Seguir uma receita distancia os filmes alternativos de seu objetivo máximo, colocando-os cada vez mais perto do enlatados que tanto abominam.

MISTRESS AMERICA (2015)

2 estrelas novo
mistress america

Mistress America fez um certo barulho na Mostra do ano passado, mas eu não consegui encaixá-lo na minha programação e deixei para assistir em casa. Ainda bem. O filme tem seu charme, mas há um problema de ritmo que prejudica a experiência, junto com uma falta de definição da protagonista, que embora bem interpretada pela queridinha Greta Gerwik, não tem o apelo necessário, ao menos até o terceiro ato, quando já é tarde demais.

PERVERT PARK (2014)

4 estrelas novo

pervert park

Pervert Park foi um dos meus filmes favoritos da Mostra do ano passado. Trata-se de um documentário sueco/dinamarquês filmado na Flórida, EUA, sobre uma comunidade de homens e mulheres que cumpriram pena por crimes sexuais. Como vai ser difícil vê-lo lançado comercialmente por aqui, recomendo que faça como eu e procure uma versão pirata em torrent. Ainda que você ache apenas uma opção com a qualidade de imagem mediana, baixe e assista. Isso não prejudica em nada a qualidade do filme como obra. Leia a crítica completa aqui

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s