Em busca do hambúrguer perfeito #5: bar.

bar 5

Um bar na Joaquim Antunes não é o tipo de lugar que costuma me atrair. Não sou público cativo e tendo a achar que quando não é para mim, eu também não sou para eles. Mas eis que o bar. (assim, com B minúsculo e ponto final) foi eleito o melhor hambúrguer por um site especializado no ano passado, desbancando queridinhos da galera. Eu achava bem estranho que esse site fosse o único a ter o tal hambúrguer não só nas primeiras posições, mas na primeira. E, apesar do ponteiro do meu desconfiômetro me dizer que o tal site teria algum interesse para falar tão bem de algo longe de ser unanimidade, decidi ver com os próprios olhos e comer com a própria boca.

O alto som, próprio de uma boate e não de um bar, incomodou mais o Marcelo que eu. É verdade que ficou difícil conversar, mas ao menos a música era razoável. Era dia de semana e, aparentemente, cedo para o público do lugar. Conforme o lugar ia enchendo, o atendimento ia piorando e o barulho, incomodado mais. Nada, no entanto, ia estragar a nossa noite. Marcelo fazia anos, e como somos avessos a grandes comemorações de aniversário (ao menos nos últimos anos), decidimos que seria suficiente comer bem.

Começamos com drinks, supostamente o ponto forte do lugar, depois dos hambúrgueres. Marcelo seguiu sua própria tradição e pediu uma caipirinha com a única cachaça disponível, Nêga Fulô (23). A caipirinha, drink que qualquer bar brasileiro que se preze tem o dever de executar bem, estava digna de uma festa de colegiais, feita por um estudante bêbado, com limão de quinta. Depois de fazer malabarismos para pedir que ela fosse refeita, e depois de explicados os problemas com a caipirinha em questão, recebemos uma caipirinha um pouco melhor, mas ainda ruim. Tive mais sorte com o meu: o martini de caju e tangerina (29) estava agradável. Pelo preço, era bom que estivesse mesmo.

bar 7

Apesar da decepção com os drinks, não nos deixamos abalar e aproveitamos o álcool, porque esse não decepciona nunca, e escolhemos uma entrada para dividir. Havia várias opções interessantes no cardápio: barriga de porco, steak tartare, polvo. Decidimos não queimar a largada e pedir algo mais leve, o que nos levou ao karaage no iogurte (35): pedaços de sobrecoxa desossada de frango marinados no iogurte, molho de soja e outros temperos, empanados e fritos, acompanhados de sour cream e molho agridoce levemente apimentado. Essa é a descrição do cardápio. As descrições todas, aliás, são extremamente convidativas. O prato é uma decepção, como os drinks: os pedaços de frango são tão pequenos e passados do ponto que é impossível sentir gosto de frango. E olha que quase toda carne no mundo tem gosto de frango. Os supostos molho de soja e outros temperos da marinada, então, eu não senti mesmo, seja lá que temperos fossem eles. O sour cream e o molho agridoce levemente apimentado não tinham sabor, não eram sour, agridoce, tampouco apimentados.

bar 4

Já céticos e levemente arrependidos, pedimos os hambúrgueres.

Eu fui de Peperoncino L’Ancienne (33): hambúrguer moído na hora, queijo Cremosissimo (um tipo de queijo parecido com brie) com peperoncino, mostarda l’ancienne e crocante de cebola roxa. O hambúrguer não estava saboroso, muito provavelmente por falta de gordura no blend e porque estava bem passado, apesar de eu ter pedido de mal passado para ao ponto, como um hambúrguer que se preze deve ser. O queijo suave mostrou-se o complemento errado, e a cebola empanada e frita estava oleosa. Tudo acompanhado de falta de sal e pimenta do reino.

IMG_1574-5

O Marcelo escolheu o Dull Boy sem queijo (35): hambúrguer, maionese com pimenta sriracha, fatias de bacon caseiro e geleia de tomate cereja servida à parte. Seu hambúrguer estava num ponto mais próximo do ideal, o bacon era gostoso e a geleia de tomate também.

bar 2

Para acompanhar, pedimos batatas fritas (21), que vieram em uma porção pequena para o que custam, e estavam sequinhas, mas nada crocantes.

bar 3

Como eu não desisto nunca, provei uma sobremesa. O mil folhas de 2 chocolates e framboesa (25), feito com mousse de chocolate branco e meio amargo, framboesas e amêndoas, apesar de mal montado e de estar longe do que eu considero uma boa sobremesa, foi o melhor prato da noite.

bar 1

Fomos embora frustrados com a comida, que custou muito caro para a qualidade que tem. Não estragou a comemoração. E agora posso recomendar com conhecimento de causa: se quiser beber e comer bem, não vá ao bar.

Anúncios

Um comentário sobre “Em busca do hambúrguer perfeito #5: bar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s