Diário da Mostra: Dia 12 na 39a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

diário da mostra 12

Faltam só dois dias para a Mostra acabar oficialmente, e se o cansaço acumulado e as desconfortáveis poltronas do Cinesesc parecem empecilhos, os filmes fazem o esforço valer a pena. Depois de noites mal dormidas e lanches pouco saudáveis, a média é alta e a saudade antecipada começa a dar o ar da graça. Que bom. 

FILME #30: CAMINO A LA PAZ (2015)

4 estrelas

camino a la paz

Camino a La Paz é um clássico road movie, no que concerne sua estrutura, centrado na relação entre os até então desconhecidos Sebas, o protagonista irritadiço, individualista e cheio de manias, e Jalil, um senhor que em muitos aspectos se opõe a Sebas, especialmente na forma como encara as adversidades da vida. A jornada de ambos, entre o ponto de partida e o de chegada, sofrerá interferências de todas as naturezas, o que levará a mudanças de planos nem sempre bem vindas, numa clara alegoria às intempéries da vida.

De maneira eficaz, o filme transmite uma bela mensagem de tolerância, enquanto encanta com passagens por vezes cômicas, por vezes dramáticas, sempre cheias de sensibilidade. Tanto as atuações dos dois personagens principais quando a direção de Francisco Varone são ótimas, e, em um filme como esse, onde a prioridade é retratar a relação dos personagens e a beleza que há em influenciar os outros ao redor e, principalmente, fazer enxergar as adversidades como catapultas para a transformação necessária, isso é essencial e suficiente.

FILME #31: O RETORNO (BLÓÐBERG, 2015)

3 estrelas

o retorno

Quem diria, há espaço para todos os gêneros cinematográficos nos países nórdicos, inclusive a comédia romântica, ou, ao menos, o que chega mais perto dessa definição. Guardadas as devidas proporções, o papel de O Retorno não é levantar nenhuma discussão muito séria ou estudar relações familiares a fundo. E enquanto seu intuito é divertir, o filme é bem sucedido. Ainda que se valha de uma premissa cheia de estigmas e situações pouco usuais para o gênero, o filme não instiga, e nem é a sua intenção, uma abordagem polêmica ou profunda. Nesses moldes, O Retorno funciona.

FILME #32: CARTA BRANCA (CARTE BLANCHE, 2015)

4 estrelas

carta branca

Apesar de abordar duas temáticas batidas, a do professor herói e a do homem que enfrenta as limitações trazidas por um doença degenerativa, Carta Branca o faz com eficácia e impressionante leveza e sensibilidade.

Enquanto a perda de visão gradativa indica um futuro aterrorizador, a vontade de continuar exercendo seu ofício, nobremente levam o protagonista a ocultar o fato, o que exigirá de si e dos outros ao seu redor um esforço nem sempre bem vindo, e levará a consequências inimagináveis e irreversíveis. O filme retrata essas dificuldades de maneira sincera, e evita a todo custo o melodrama apelativo, com a preocupação intermitente em incluir o espectador nas sensações do protagonista, lançando mão de planos, mesmo os objetivos, com flares fazendo as vezes dos pontos que invadem sua visão e a superexposição e a subexposição tornando o que enxergamos tão desagradável e desesperador quanto o que ele enxerga.

O maior mérito do filme, no entanto, é conseguir trabalhar tantas frentes de maneira tão concisa e eficaz. Apesar do grande número de personagens e subtramas, o bom ritmo é mantido do início ao fim, o que resulta em uma boa história, baseada em fatos reais, por sinal, contada com entusiasmo e precisão.

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