Diário da Mostra: Dia 11 na 39a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

diário da mostra 11

No segundo dia de repescagem, foram dois filmes: um drama alemão do qual que já havia ouvido falar mal e um documentário brasileiro sobre o qual eu pouco sabia. O Cinesesc estava lotado, animado como no dia anterior, e o lugar onde eu mais escutava conversas sobre as impressões dos filmes era no banheiro feminino. Com apenas três cabines, o banheiro lota em todo final de sessão, ainda que você seja ligeira e ignore os créditos finais dos filmes. E as opiniões, nesse dia, foram muito diversas, em relação aos dois filmes. É interessante perceber como o público da Mostra é tão diverso, tendo em comum apenas a cinefilia, e como algumas opiniões são tão equivocadas no que concerne os aspectos técnicos dos filmes. Como eu gosto de ficar mais quieta e digerir os pensamentos sozinha nos momentos que sucedem as projeções, acabo ficando na minha, mas adoraria discutir sobre os filmes em momentos e lugares mais propícios, que não a fila do banheiro. É isso, aliás, que mais me motivou a escrever sobre filmes, e a Mostra, em especial, no blog: iniciar uma discussão. Espero que elas se tornem cada vez maiores.

FILME #28: NÓS MONSTROS (WIR MONSTER, 2015)

1 estrela

nós monstros

Nós Monstros parte de uma ideia interessante: os pais de uma adolescente decidem acobertar um suposto assassinato cometido pela filha, o que os levará a situações extremas nunca antes cogitadas. Apesar do potencial, o filme nunca decola. Os personagens são mal desenvolvidos e os vários conflitos possíveis, dadas as circunstâncias, são ignorados ou, quando muito, subaproveitados. Contrastando com o desperdício de situações possivelmente interessantes, existe um excesso de cenas completamente desnecessárias, que, se não prejudicam o ritmo do filme, tornam-se no mínimo deslocadas e no máximo absurdas. Ao não saber trabalhar o roteiro, e a forma como a trama evolui, como quando, em certo momento, uma revelação crucial é feita prematuramente, eliminam-se quaisquer chances que o filme tinha de ser minimamente interessante. Nós Monstros é uma perda de tempo e não deveria estar na repescagem.

FILME #29: QUANTO TEMPO O TEMPO TEM (2015)

2 estrelas

quanto tempo o tempo tem

Quanto tempo o tempo tem é um documentário que propõe uma discussão relevante, que pode e deve ir muito além dos 80 minutos de filme, mas como obra cinematográfica, é apenas regular. As várias entrevistas feitas com estudiosos, cientistas, religiosos e autores de diversas áreas, conduzidas em diversos lugares do mundo, questionam e fazem questionar o conceito de tempo, a forma como o tempo passa na atualidade, a nossa relação com os avanços tecnológicos e a expectativa em relação ao futuro. Refletindo o andamento do tempo contemporâneo, como a própria diretora e narradora sugere, as entrevistas são organizadas e montadas de maneira extremamente dinâmica, o que, na minha opinião, prejudica a digestão das opiniões e ideias apresentadas e torna a discussão rasa. Como Domenico di Masi bem fala um pouco depois do início dos créditos finais, no entanto, a discussão foi apenas iniciada, e é necessário continuá-la, caso contrário, o filme terá sido uma perda de tempo.

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