Diário da Mostra: Dia 1 na 39a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

39 mostra

Há anos não frequento a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Confesso que por pura preguiça de me organizar, mas estar todo ano ocupada com trabalho e outras coisas nessa época, desincentiva bastante. E olha que eu moro pertíssimo da Avenida Paulista, onde estão concentradas várias das salas participantes.

Esse ano, calhou de eu estar sem trabalho justamente em outubro (e por tempo indeterminado), por isso consegui realizar um dos meus desejos mais antigos: comprar uma permanente especial, aquela que dá direito a assistir a todos os filmes projetados de segunda a sexta, com sessões iniciadas até 17h55. É claro que sempre vai ter um filme ou outro que você vai ter que pagar à parte porque não não tem sessões nesses horários ou dias. Mas o valor é totalmente compensador: cem reaizinhos. Eu, que fiz uma lista de 26 filmes (mais 4 que não se encaixam nesse período), vou pagar menos de 4 reais por filme. Tá bom ou quer mais?

E eu tinha esquecido como é gostoso escolher os filmes, montar o quebra-cabeça, sentar por horas a fio nas salas escuras e debater os filmes. Então, vamos debater? Quem estiver acompanhando a mostra, pode deixar comentários, dizendo o que está achando dos filmes. E quem não está, pode anotar o que mais interessar para assistir depois, caso eles estreiem no Brasil ou estejam disponíveis para download.

Hoje, primeiro dia, assisti a três filmes, todos no Itaú do shopping Frei Caneca. Como o filme principal era lá, escolhi os outros dois no mesmo local, para evitar correrias e atrasos, porque o shopping não fica tão perto assim das outras salas da Paulista. Apesar de ser difícil julgar filmes vistos em ritmo de maratona, pretendo escrever sobre eles no mesmo dia, para tê-los frescos na memória. Então, não serão análises profundas, mas visões gerais e principais impressões.

[Para facilitar a busca nos guias e afins, colocarei o título em português (quando houver) antes do original, que é o contrário do que costumo fazer aqui no blog, ok?]

Vamos lá?

FILME #1: HERA (SARMASIK, 2015)

4 estrelas

hera

Meu favorito do dia, esse filme turco conta a história da tripulação de um navio cargueiro que é obrigado a ancorar porque seu proprietário declarou falência e não pagou o que devia às autoridades portuárias. A maior parte da tripulação é dispensada, mas é exigido, por segurança, que uma equipe reduzida se mantenha no navio até que a dívida seja acertada. Com pouco combustível e pouca comida, o isolamento e a incerteza do futuro, a tensão entre os membros da tripulação vai crescendo conforme os meses vão passando.

O diretor e roteirista Tolga Karaçelik acerta em cheio na construção do clima desse thriller psicológico. As câmeras, fixas ou com movimentos lentos e suaves, traduzem a monotonia, ao mesmo tempo que exacerbam a expectativa nos momentos mais tensos. Por outro lado, juntamente com as demarcações dos três atos estampadas na tela, as câmeras afastam, de modo calculado, o espectador dos personagens. Estes, por sua vez, têm seus papéis definidos desde o início e, curiosamente, isso não torna o filme previsível. A quase ausência de música também contribui para a tradução da monotonia que, contraditoriamente, retira toda e qualquer calma que pudesse existir no início da viagem. As metáforas do terceiro ato podem causar estranheza porque, assim como a chuva de sapos de Magnolia (Magnólia, 1999), aparecem sem avisar, mas encaixam-se perfeitamente no clima de insanidade e catarse.

FILME #2: A SENHORA DA VAN (THE LADY IN THE VAN, 2015)

3 estrelas

the lady in the van

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Miss Shepherd, uma senhora que vive em um van e passa quinze anos estacionada na garagem de Alan Bennett (o roteirista do filme).

Miss Shepherd é vivida pela magnífica Maggie Smith (trocadilho não-intencional), e sua atuação é o trunfo do filme. Apesar da premissa interessante, das belas atuações (Alex Jennings, que vive Bennett, também está muito bem) e do equilíbrio entre boas piadas e momentos dramáticos, a direção é correta, apenas. Super bem cotado, esse filme não me impressionou, e eu esperaria a estreia comercial, prevista para 28 de janeiro de 2016.

Depois do pesado Hera, o filme funcionou como uma espécie de zerador de cérebro, apesar de ter causado o maior número de pescadas do dia – cujo mérito pode ser totalmente atribuído à noite mal dormida, que fique claro.

FILME #3: APENAS JIM (JUST JIM, 2105)

2 estrelas

just jim

Jim, que dá nome ao filme, é um adolescente solitário, de vida social inexistente, uma paixão platônica e uma família que ignora completamente sua existência. Sua única companhia é seu cão, Cliff. Quando a casa ao lado é ocupada por um jovem cool e autoconfiante, a vida de Jim começa a melhorar.

Jim é interpretado por Craig Roberts, que também é responsável pelo roteiro e direção desse drama cheio de estilo, um pouco imaturo e bastante intrigante. O filme tem problemas, de identidade, principalmente. Mas isso torna-se compreensível quando se aprende que o roteirista e diretor tem apenas 24 anos. Eu, que esperava um filme mais comercial, fiquei positivamente surpresa nos primeiros segundos de projeção, quando um estilo forte fez presença. É possível enxergar a visão do diretor, e o quão promissor ele pode ser. É evidente, também, a falta de foco, que faz o filme passear por dois gêneros/estilos diferentes sem equilíbrio ou de forma coesa, o que prejudica o produto final. No entanto, ambos são individualmente bem elaborados e apresentados, o que torna Craig Roberts alguém para se acompanhar de perto.

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