Filmes do mês #6

filmes do mês 6

Estou numa onda de filmes de terror, e esse mês teve três deles. Voltei a procurar dramas românticos indies e achei dois interessantes no Netflix. Também teve o novo filme da Pixar, revisão de Mad Max: Fury Road e mais coisa muito boa.

A MOST VIOLENT YEAR (O ANO MAIS VIOLENTO, 2014)

3 estrelas

a most violent year

O diretor e roteirista de A Most Violent Year é J. C. Chandor, do excelente All Is Lost (Até o Fim, 2013). Embora não haja muitas semelhanças entre eles, visto que o primeiro se passa em Nova York e acompanha a vida de diversos personagens no decorrer de mais de um mês e o segundo se passa em alto-mar por apenas alguns dias e conta a história de um único personagem isolado, é possível enxergar um estilo. Em ambos, a personalidade dos protagonistas é revelada em doses homeopáticas, de modo que nossa certeza sobre suas índoles só vem no segundo ato. Em ambos, também, o conflito se dá por conta justamente da índole de cada um dos personagens e suas escolhas, que vão de encontro com a vontade alheia, ajudadas por fatores externos que fogem totalmente de seu controle, embora eles acreditem, até o fim que seja possível lutar contra essas forças. A Most Violent Year é um filme contundente, onde brilham Oscar Isaac e Jessica Chastain, extremamente bem dirigidos, cheio de sutilezas, elegante, e que não parece saído das mãos de um diretor iniciante.

THE TRIP (UMA VIAGEM EXCÊNTRICA, 2010)

3 estrelas

the trip

The Trip é originalmente uma minissérie feita para TV, dirigida por Michael Winterbottom, que foi reeditada em formato de longa metragem. Dois amigos cuja proximidade é dúbia viajam pelo interior da Inglaterra, a serviço de um jornal, para conhecer restaurantes renomados. Durante a viagem, as diferenças entre ambos é escrutinada, assim como suas relações familiares e amorosas e suas visões de mundo e comida. Entre um prato e outro e uma cidade e outra, no entanto, abre-se espaço para imitações hilárias de Michael Caine e muitos improvisos, dando-se, assim, equilíbrio ao filme que nunca se assume comédia ou drama. Existe uma tênue linha, também, entre ficção e documentário. O filme mistura, de maneira muito eficiente, cenas ficcionais com tomadas obviamente documentais, e há espaço para muitos os diálogos improvisados e naturalistas. Steve Coogan e Rob Brydon estão ótimos. Suas imitações são realmente boas e a interação dos dois, aliada a bons diálogos, tornam o filme refinadamente divertido e profundo sem ser pedante.

INSIDE OUT (DIVERTIDA MENTE, 2015)

4 estrelas

inside out

Inside Out é um marco na história da Pixar, porque marca o retorno das boas e inventivas histórias, contadas de maneira tocante e bela. Entrou para os meus favoritos do estúdio e falei mais sobre ele aqui.

PRESERVATION (2014)

2 estrelas

preservation

A premissa é batida: um grupo de pessoas se aventura em lugar inóspito e isolado e passa a ser perseguido. São incontáveis os filmes que se baseiam nesse mote, e eles se dividem entre os que se apoiam apenas em clichês, personagens rasos e truques baratos e aqueles com um algo a mais, seja uma história interessante, bons personagens ou uma construção cinematográfica mais elaborada. Esse Preservation fica no meio do caminho. Os personagens, por mais previsíveis que sejam, acabam interagindo de forma satisfatória para o desenvolvimento da história, que, apesar de não apresentar nada de novo, possui bons elementos, realistas e perturbadores, que culminam num final inusitado.

ENTITY (2012)

2 estrelas

entity 2

Entity é um falso falso documentário. Apesar do uso de câmeras diegéticas e de planos subjetivos, o filme não é apresentado exclusivamente através dessas câmeras ou pelos personagens do filme, mas também por uma terceira pessoa. Apesar de alguns problemas de direção e ritmo, em geral, o filme acerta porque consegue assustar sem fazer uso de violência gráfica, com uma boa ambientação, uso de câmera e montagem, o que eu considero um acerto em filmes de temática sobrenatural.

COMET (2014)

2 estrelas

comet

Descobrir filmes independentes pouco divulgados é um dos meus hobbys favoritos. Comet é um trabalho do diretor e roteirista estreante Sam Esmail, que tem boas intenções, mas muita pretensão. Apesar do capricho visual, falta alma ao filme, onde a desordem cronológica não é justificada e não há espaço para a emoção, vista a falta de química do casal. Por outro lado, várias escolhas estéticas, ainda que pouco propósito tenham, são interessantes, bem como alguns diálogos, que tornam claro o capricho com o texto, a ponto de aguçar a curiosidade dos próximos trabalhos do diretor.

SAVE THE DATE (2012)

3 estrelas

save the date

Assim como Comet, Save the Date se encaixa na categoria de filme independente/drama leve com romance e uma visão mais realista e menos açucarada que grande parte dos filmes do gênero. A diferença básica é que este filme despe-se de pretensão e foca em uma boa história bem contada. À parte alguns problemas de direção, que não chegam a influenciar a trama de maneira importante, há muita sinceridade nos personagens, o que chega até a incomodar, de modo que a protagonista só ganhou minha torcida lá pela metade do filme – o que pode ter sido causado pela atuação e direção. No entanto, são justamente esses defeitos, a priori incômodos, que nos aproximam dos personagens e dos eventos culminados por suas escolhas e ações. Save the Date é um bom filme do gênero – e fora do gênero também.

V/H/S (2012)

3 estrelas

vhs

Assim como suas sequências, V/H/S 2 (2013) e V/H/S: Viral (2014), V/H/S (2012) é uma antologia de terror, que reúne uma série de curtas-metragens, dirigidos por diferentes diretores, apresentados em forma de vídeos feitos em VHS encontrados acidentalmente. Em forma de falsos-documentários, os filmes apresentam histórias de temáticas diversas, indo do sobrenatural ao realista, passando por invasões alienígenas. Todos os filmes (alguns mais que outros) são bem estruturados, resultando numa obra horripilante porque, ainda que o tema seja mais fantasioso, o formato aproxima o espectador da história, tornando-a crível e, portanto, assustadora. V/H/S é um ótimo exemplo do bom uso do formato “falso-documentário”, que foi explorado à exaustão, e ultimamente não tem funcionado, raras exceções.

MAD MAX: FURY ROAD (MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA, 2015)

3 estrelas

mad max fury road

Tenho alguns problemas com o filme, mas confesso que fiquei impressionada com a revisão. Assistimos em casa, em 3D, e o filme não perdeu nada da força que tem no cinema. É um filme de ação, nada além disso. Mas é um ótimo filme de ação. Falei sobre o filme aqui.

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