E a Pixar acerta de novo: Inside Out (Divertida Mente)

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E depois de muito adiar, finalmente fui assistir ao tão esperado novo longa metragem da Pixar: Inside Out, ou Divertida Mente (2015). Não adiei intencionalmente, mas por conta das circunstâncias caóticas que tomaram conta do mês passado. Desde o trailer, esperei ansiosamente pelo filme, principalmente porque depois de Up (Up: Altas Aventuras, 2009), dos quatro filmes lançados, três são continuações – ou prequel, no caso de Monsters University (Universidade Monstros, 2013), e deles, apenas um é um ótimo filme. O quarto filme, Brave (Valente, 2012) não é continuação ou prequel, mas é apenas um filme regular. Portanto, a expectativa era alta, e isso nunca é bom.

Como o filme já estava em cartaz fazia mais de um mês, e como nessa época há muitos lançamentos blockbuster, não havia muitas opções de salas que estivessem projetando a versão legendada. Ou talvez seja ingenuidade minha e na semana de estreia já não houvesse muitas salas com essa opção.

Conseguimos. E era uma sala 3D, mas nem precisava. O 3D do filme é totalmente dispensável.

Apesar do horário avançado, a sala lotou.

O curta metragem é Lava, e sua história simples ganha força com a trilha sonora cativante.

Inside Out começa. Há uma identificação quase imediata por parte da plateia que, apesar das péssimas legendas, entende todas as piadas, que são muitas no primeiro ato, e ri delas com entusiasmo. Os personagens, intencionalmente caricatos – afinal de contas, são emoções, e não pessoas – tornam o filme previsível, e nos primeiros quinze minutos você já sabe como ele vai se desenvolver e terminar.

Não importa. O filme se desenrola de maneira deliciosa. Dá gosto assistir.

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Alguns personagens são claramente superiores a outros – Sadness (ou Tristeza) e Bing Bong são meus favoritos e, na minha opinião, os melhores personagens –, mas não há nenhum personagem ruim. O tempo de tela de cada um deles é justificado, e até as subtramas e os personagens menores aparecem de maneira equilibrada.

No segundo ato, depois da introdução dominada por Joy – não por coincidência, a parte mais alegre do filme – Sadness ganha espaço, alterando o andar da carruagem e complicando a trama. O que parecia um filme kids friendly, torna-se sério, mas ainda com lugar para piadas pontuais e o início de uma aventura num mundo belissimamente criado. Esse mundo fora do quartel-general da mente de Riley, aliás, me lembrou muito o mundo dentro dos fliperamas de Wreck-It Ralph (Detona Ralph, 2012), o que é um elogio tremendo. Todas as analogias do filme são muito bem aplicadas, de modo que o desenvolvimento da história é facilmente associado ao crescimento de Riley, à sua passagem da infância para a adolescência. Por isso, apenas aqueles que já fizeram a transição e a enxergam, hoje, com certo distanciamento podem entender a profundidade do filme. Crianças vão achar coisas fofas e rir de piadas sem entendê-las. E só.

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Se no início do filme havia uma profusão de gargalhadas na sala de cinema, no segundo ato, elas tornaram-se risadas menos frequentes, e no terceiro ato, cessaram totalmente e deram lugar a engasgadas de quem chora e não quer demonstrar. Eu mesma, que não tenho vergonha de chorar e sou manteiga derretida assumida desde que nasci, comecei a me desesperar com o volume de lágrimas que teimavam em se formar e embaçar os óculos 3D. A associação que fiz com minhas próprias memórias, e como elas se formaram e se transformaram na minha mente no decorrer dos anos, trouxeram à tona tanto lembranças complexas e emocionantes quanto o entendimento da poesia que o filme quis transmitir. E aí eu chorei muito. E não estava sozinha.

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Inside Out tem alguns pequenos defeitos, que nem chegam a ser problemas de fato. Ele é o tipo de filme que termina e você já quer assistir de novo, e mesmo que não seja meu novo favorito do estúdio – WALL-E (2008) segue no topo –, já entrou para o top 5, ainda que eu precise amadurecer o filme para saber exatamente em qual posição ele fica. Inside Out não é uma surpresa, mas ainda assim surpreende pela singeleza e por trazer, de novo, o estúdio para um lugar de destaque. Vá ver antes que saia de cartaz. Veja legendado 2D. Por favor.

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