Porque decidimos adotar a alimentação natural para a Nina

AN 5

Quando adotamos a Nina, passei tardes inteiras pesquisando rações. Analisei tabelas, decifrei listas de ingredientes, comparei dezenas de marcas e tipos. Escolhemos uma ração super premium, como são denominadas as rações de qualidade superior.

Alguns meses depois, ela desenvolveu uma alergia que, descobrimos ser de frango, proteína usada em mais de 90% das rações e petiscos existentes no mercado. Descobrimos que a alergia a frango é comum em cachorros, não por conta da carne em si, mas por conta dos antibióticos, promotores de crescimento e rações de baixa qualidade com as quais os frangos se alimentam, baseada em matéria-prima transgênica. Não sei o quanto desses aditivos prejudicam de fato nossa saúde (ou a dos nossos cães e gatos). Há quem diga que eles não têm influência nenhuma na nossa saúde, há quem ainda acredite no uso de hormônios de crescimento, que os estudiosos dizem ser mito.

De qualquer maneira, a partir desse momento passamos a restringir a alimentação da Nina a ração hipoalergênica (há apenas duas marcas super premium no mercado) e petiscos que não contivessem frango, como os biscoitos light Equilíbrio, à base de cereais, e os palitos Biodog, feitos de vísceras bovinas desidratadas, bem como legumes e frutas permitidos para cachorros (cenoura, salsão, brócolis, maçã, banana, etc). Para os treinos, estávamos usando a própria ração. Apesar de saber que cereais não são um alimento bom para cachorros, o uso dos biscoitos da Equilíbrio era muito raro. Mas ainda havia cereais na ração. E, o pior, transgênicos.

Na época, havia apenas uma ração sem cereais e consequentemente livre de transgênicos, a N&D (Natural & Delicious) da Farmina. Mas os três sabores disponíveis no mercado continham frango em sua composição, por isso continuamos usando a Premier Nutrição Clínica Hipoalergênica. Cheia de cereais. Transgênicos.

À medida que eu me esforçava para melhorar a minha alimentação, tirando da nossa geladeira e despensa produtos industrializados e acrescentando mais e mais produtos naturais; evitando comer fora de casa, a não ser em restaurantes de qualidade comprovada, com preocupação com a matéria-prima; produzindo 90% da comida que consumimos; e, mais recentemente, diminuindo consideravelmente a quantidade de carne (qualquer tipo de carne) consumida, me sentia hipócrita ao alimentar a Nina com ração industrializada, cheia de alimentos impróprios para consumo humano, produtos de origem duvidosa, transgênicos e outras porcarias. Mas a esmagadora maioria de veterinários ainda clama que a ração é o alimento mais completo. De fato, elas são balanceadas para possuírem a quantidade necessária de vitaminas, minerais, proteínas e gorduras. Mas são cheias de “enchedores de linguiça”, como os cereais, que os cachorros têm dificuldade de digerir. E a matéria-prima usada não é de alta qualidade, mesmo nas rações mais caras. Ainda temos os conservantes e estabilizantes, para elas durarem bastante tempo, e os palatabilizantes, para enganar o paladar dos animais e eles conseguirem comer algo que, na realidade, não tem sabor bom. No caso das rações mais populares, há ainda os corantes.

Ora, se eu não quero encher meu corpo com essas porcarias, por que o faço com o meu animal de estimação? Porque é mais fácil, mais rápido, mais barato.

Aí as coisas começaram a desandar.

Era uma sexta-feira. Voltamos para casa depois de um dia normal de trabalho. Fomos recebidos de forma calorosa pela Nina, como de costume. E, apesar de sua habitual energia, havia vômito no tapete e diarreia no banheiro. Como o sistema digestório dos cachorros é mais sensível que dos humanos, imaginamos que poderia ser algo passageiro, e esperamos o dia seguinte.

No sábado ela continuava cheia de energia, alegre, com apetite. Mas a diarreia persistiu. Evitando levá-la a um hospital 24 horas, que costumam cobrar os olhos da cara, ainda mais aos fins de semana, e preferindo levá-la à nossa veterinária de confiança na segunda-feira, decidimos esperar.

No domingo, fizemos uma breve saída. Ela ficou sozinha. Ao voltarmos, ela estava alegre, elétrica como sempre, mas sua diarreia tinha sangue. Muito sangue. Corremos para o hospital, ignorando a conta astronômica por vir. Depois de vários exames, e de nada diagnosticado, fomos recomendados a interná-la. Somos muito resistentes a internações. E não porque custam um rim, mas porque ela fica estressada num nível preocupante. Antes de sua primeira internação, no início do ano passado, quando ela comeu chocolate e quase teve um piripaque, ela agia muito tranquilamente com veterinários e em procedimentos de rotina, como vacinas e exames. Depois da internação, ela passou a odiar até os mínimos toques de gente vestindo jaleco. Tenho certeza que ela foi bem tratada, tanto quanto tenho certeza que sua experiência nas ruas foi o suficiente para torná-la reativa, desconfiada, medrosa. De modo que preferimos não interná-la.

Fomos para casa com um receituário enorme e as solicitações de retorno e novos exames no decorrer da semana.

Ela melhorou, mas no final da semana os sintomas voltaram, agora acompanhados de falta de apetite, algo raro para a Nina, esfomeada que só. Voltamos ao hospital e novos exames indicaram pancreatite, duodenite e gastrite. É difícil estabelecer a causa dessas inflamações, ou qual começou primeiro. A pancreatite é considerada uma doença grave, que pode ser crônica ou aguda, e que, se não tratada adequadamente, pode matar muito rápido. Dessa vez, não tínhamos escolha a não ser interná-la. Com o coração na mão, a deixamos lá, sabendo que não existe tratamento direto para a pancreatite, ou seja, não existe um remédio que se tome para tratar esse tipo de inflamação. Uma série de procedimentos periféricos devem ser tomados, nesse caso, para ajudar o pâncreas a se curar sozinho.

AN 1

Uma das causas da pancreatite é uma alimentação rica em gordura. Se a Nina passou a vida inteira, ao menos o período que viveu conosco, à base de ração, fica difícil acreditar que essa seja a alimentação mais saudável possível. Já sabíamos, aliás, que cuidar muito bem de sua alimentação a partir de então, seria tarefa para a vida inteira. Como eu já sabia que não encontraríamos uma ração hipoalergênica que fosse, ao mesmo tempo, pobre em gordura, pensei que a única solução seria adotar a alimentação natural, baseada em comida de verdade, feita em casa.

Enquanto ela era tratada na UTI do hospital, fiz minhas pesquisas. Passei, novamente, tardes inteiras lendo sobre a alimentação natural. E me encontrei.Era exatamente o que ela e eu precisávamos. A Nina ia viver mais saudável, com mais qualidade de vida e mais feliz, e eu ia viver mais tranquila e realizada. A maior referência em Alimentação Natural para animais no Brasil, pelo que concluí nas minhas pesquisas, é a veterinária Sylvia Angélico, do site Cachorro Verde. O site é bem completo, mas, apesar de estar me baseando nele por enquanto, pretendo fazer uma consulta com um nutrólogo, se não com ela, com outro, assim que a bateria de exames da Nina terminar e ela estiver melhor. E, feitos os cálculos, fui às compras e depois à cozinha. Foi mais rápido e fácil do que eu imaginava e, com certeza muito gratificante.

Depois de dois dias de internação, a Nina voltou bem para casa, e rouca, de tanto que latiu por lá. Em casa, foi recebida pela alimentação nova. As possibilidades de combinações são infinitas, mas como ela está em fase de recuperação, estamos adicionando um alimento novo por semana. Essa semana ela comeu carne moída magra (patinho) frita na frigideira antiaderente sem óleo, batata com casca cozida na água (veja no site da Sylvia porquê) e cenoura cozida com casca no vapor, com um toquinho de sal. Aos poucos vou acrescentar um fiozinho de azeite de oliva, cascas de ovos secas e trituradas, como fonte de cálcio e iogurte desnatado, como fonte de probióticos. Não sei se as vísceras são boas no caso dela, que está com problemas no sistema digestório, mas, se sim, pretendo introduzir em sua dieta também. A intenção é preparar a comida dela nos fins de semana e congelar em porções diárias. Estou aprendendo o processo ainda, e pretendo documentá-lo aqui, para ajudar os interessados na Alimentação Natural.

AN 2

Faz uma semana que ela voltou para casa, e temos retornado ao hospital com frequência, para acompanhamento do progresso de sua recuperação. O hospital, aliás, é o Sena Madureira, que sempre nos atendeu com muita atenção e profissionalismo, e que tornou esse momento difícil o mais tranquilo quanto ele pode ser. O último ultrassom revelou que as inflamações melhoraram. O prognóstico é bom. E depois de termos comprado uma balança de precisão para porcionar as refeições da Nina, lido quase tudo o que há para ser lido sobre o assunto e visto a alegria que ela demonstra na hora das refeições, temos a certeza de que ela vai viver melhor e mais feliz. E eu também.

AN 4

Anúncios

2 comentários sobre “Porque decidimos adotar a alimentação natural para a Nina

  1. Olá!!!
    Minha cachorrinha Meg, uma yorkshire de 4 anos, foi diagnosticada com pancreatite. Está sendo muito difícil sua recuperação. Gostaria de saber quais alimentos vc tem dado pra Nina, visto que dei a ração da Royal canin low fat e a Meg voltou a apresentar todos os sintomas da pancreatite.
    Obg.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s