Nossa festa de casamento: os preparativos

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Hoje faz um ano, cinco meses e nove dias que eu e o Marcelo nos casamos, e decidi contar como foi.

Antes de tudo, acho bom começar pelo começo.

Nós nos conhecemos na faculdade, em 2004. Ambos cursamos Cinema, ele estava um ano acima e tínhamos amigos em comum. E apesar de termos trabalhado em alguns filmes universitários juntos, nunca fomos próximos. Em junho de 2008, já formados, nos encontramos na festa de um grande amigo, que mais tarde tornou-se nosso padrinho de casamento. Fazia tempos que não nos víamos, mas coincidentemente tínhamos nos falado brevemente através de mensagens no saudoso Last.fm, um tipo de rede social de música que não é muito utilizado hoje em dia. Naquele dia, ficamos juntos pela primeira vez, contando com uma inusitada interferência de um amigo. Eu tinha tido um dia de trabalho super cansativo, que tinha terminado bem tarde, e quase não fui para a festa por cansaço. E era uma sexta-feira 13.

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Apesar da minha tentativa de levar as coisas com calma, naturalmente nosso relacionamento ficou sério, seríssimo. Nós dois tínhamos saído de relacionamentos complicados e queríamos ser cautelosos. A tentativa não deu certo. Depois de uma semana eu já estava conhecendo a família dele e passando o fim de semana no sítio. Em duas semanas estávamos oficialmente namorando e em dois anos, morando juntos. Com quatro meses de namoro, minha mãe faleceu, depois de quatro anos lutando contra o câncer. Foi o período mais difícil da minha vida, e sem o Marcelo acho que minha sanidade não teria sobrevivido. A barra que ele segurou foi a maior prova de amor que ele poderia ter me dado, inclusive isso foi uma das coisas que falei nos meus votos de casamento, e o que me pôs em prantos.

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E quando completamos dois anos morando juntos (e quatro de namoro), ele me pediu em casamento, no dia dos namorados. Eu sempre queimava a largada e dava os presentes de datas comemorativas antes do dia. Sou ansiosa assim. E ele, por consequência, acabava me presenteando antes também. Nos dias que antecederam aquele dia dos namorados o presente não veio. E eu sabia que ele já tinha comprado, porque compramos no mesmo dia. E, procurando algo em suas gavetas, vi a caixinha. Já vínhamos conversando sobre essa possibilidade havia algum tempo, e por isso eu tinha certeza que dentro daquela caixinha esperava uma aliança. Não houve surpresa, mas nem por isso deixei de me emocionar. Eu, que me achava muito prafrentex e não considerava casamento algo essencial. Todas as convenções sociais que dizem respeito a família nunca foram, para mim, objetivos a serem alcançados. Eu não sonhava com casamento, festa, filhos. Para mim, tudo isso estava num futuro muito distante e impalpável, e o nosso amor me fez, com o tempo, desejar todas essas coisas. O casamento representaria um rito de passagem, uma forma de dizer ao mundo que não éramos mais só namorados. A festa seria a forma de comemorar, com as pessoas que mais amamos, essa declaração. E os filhos, que ainda devem demorar um pouco para vir, o fruto intocável do nosso amor. Aos poucos fui me vendo cada vez mais convencional e previsível. E não achava nada disso ruim.

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Desde o início quis uma festa pequena, íntima, mas representativa, do nosso amor, de um pelo outro e pelos nossos familiares e amigos mais próximos, que fizeram parte, de alguma forma, da construção da família que estávamos iniciando, e dos nossos gostos e personalidades. A primeira grande decisão que tomamos foi quanto ao lugar. A casa do meu pai foi projetada e construída por ele e pela minha mãe, engenheiro e arquiteta respectivamente. Cada canto dela transbordava lembranças, e seria uma forma de fazer a minha mãe participar da festa. Lembro bem que um pouco antes de ela morrer, como forma de incentivo para continuar lutando, eu disse a ela que ela tinha que viver, para ver o meu casamento. Com menos de quatro meses de namoro eu já sabia que o Marcelo era o homem com quem eu queria passar o resto da vida. E a ausência dela é a única parte amarga dessa história.

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Aquela casa mostrou-se o lugar perfeito para o tipo de festa que queríamos fazer. O próximo passo era fazer a lista de convidados, que não podia ser grande para que o espaço fosse confortável para todos. E foi perfeito, porque queríamos, de fato, convidar apenas os mais próximos. É claro que muita gente querida ficou de fora, e não foi fácil segurar nos 120 convidados (que inicialmente deveriam ser 100), mas dessa forma conseguimos interagir com todos e investir mais em comida e bebida, por exemplo.

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A escolha dos fornecedores foi a parte mais difícil e demorada. Depois de estabelecido um orçamento, definimos o quanto queríamos gastar em cada item, e nossa prioridade eram o fotógrafo e o videomaker. A festa leva meses para ser planejada, mas passa mais rápido que um furacão, e é importante ter lembranças concretas que perdurarão. Pesquisamos vários, conversamos com muitos, e no fim escolhemos alguém cujo trabalho admirássemos, mas também com quem, nos identificássemos. E esse foi o mantra que norteou todas as nossas escolhas. Quando ficávamos na dúvida entre um fornecedor e outro, íamos naquele que mais tivesse a ver com a gente, fosse na forma de trabalhar, de viver, de enxergar a festa. E mais certo que isso não poderia ter dado. Todos os nossos fornecedores, que foram verdadeiros parceiros nessa jornada, influenciaram de uma forma ou de outra, com menos ou mais intensidade, no resultado final. E nosso processo com o fotógrafo e os videomakers começou bem antes do casamento. Seis meses antes enviamos o save the date, em forma de vídeo. No dia da gravação do save the date, o fotógrafo documentou tudo e algumas fotos ganharam porta-retratos e destaque na decoração da festa.

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A próxima escolha foi fácil. Decidimos que uma assessoria era essencial porque, apesar de eu ser bem centralizadora, não ia dar conta de tudo, principalmente porque eu sabia que ia me estressar cada vez mais à medida que a data fosse se aproximando, e eu queria curtir o processo, e não me ressentir dele. Conhecíamos uma dupla de assessoras da faculdade e elas pareceram perfeitas para o casamento íntimo e personalizado que buscávamos. Foi a escolha mais acertada que fizemos. Elas se dedicaram de corpo e alma e, ao mesmo tempo que foram super profissionais e fizeram tudo acontecer da melhor forma possível, tornaram-se as melhores amigas que eu poderia ter naquele momento, me acalmando quando eu surtava, me animando quando eu ficava pra baixo, me apoiando nas minhas decisões mas sugerindo alternativas quando eu não via saída ou tentava bater o pé em algo que não ia dar certo.

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Outra prioridade – no final das contas, tudo é prioridade, mas vamos fazer de conta que não – era a comida. Eu costumo odiar ou pelo menos não gostar de comida de festa. Acho tudo sem inspiração, mal feito, redundante, chato. Por isso, fazia questão que a comida fosse excelente. O espaço não permitia um jantar sentado, o que acabou sendo perfeito, porque com serviço volante de finger food e jantar que pudesse ser degustado sem mesas ou até mesmo em pé, a festa ficou muito mais dinâmica. As pessoas dançavam quando queriam, comiam quando queriam. Acho que alguns podem ter se incomodado de não terem uma mesa para comer, mas em geral eu acho que não tivemos problemas quanto a isso. Porque não havia lugares fixos, as pessoas se movimentavam e interagiam mais. E, depois de duas degustações (uma das partes mais legais na organização do casamento), escolhemos o que considerávamos o cardápio ideal: tinha comida mais exótica, comida mais acessível, muitas opções vegetarianas, coisas com queijo (porque eu amo) e sem (porque o Marcelo odeia), welcome drinks alcoólicos e não alcoólicos.

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Para as bebidas, decidimos ir com o trivial: água, refrigerantes, cerveja, prosecco e uísque. Como o Marcelo gosta muito de caipirinha, decidimos ter um bar de caipirinhas. Eu até cogitei termos outros drinks ao invés das batidas caipirinhas (trocadilho não intencional), mas mais importante que fugir da regra era agradar a nós mesmos, então fomos nelas mesmo, e ainda acrescentamos mojito porque né, mojito. O fornecedor também é um amigo nosso, e as combinações dele são matadoras de boas. A gente sabia porque, como não somos bobos, fizemos degustação, e em casa, ainda, pra não dirigir bêbado.

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Não queríamos banda. Eu adoraria que a banda do meu pai tocasse (ele tem uma banda de rock dos anos 60 e 70), mas também queria que ele aproveitasse, e desisti da ideia. Um bom DJ que captasse nosso estilo era mais que suficiente. E o nosso era sensacional. A gente fez uma lista quilométrica de tudo que queríamos que tocasse, então o mérito também é nosso. Eu quis fugir dos clichês, e por isso escolhemos música de vários gêneros e épocas, evitando modinhas e aquelas músicas que as pessoas parecem achar obrigatórias em casamentos. Acho que não conseguimos agradar a todos, mas sei que os convidados da nossa faixa etária aproveitaram muito a pista. O nosso DJ é a pessoa mais gente boa do mundo. Tivemos trabalho para definir o melhor lugar para a pista, para a cerimônia, para o bolo, antes do corte, posicionamento de equipamento e o dele próprio, e a ajuda dele foi fundamental. Esse foi o maior desafio da organização, e me roubou muitas horas de sono. Numa casa, há várias limitações, mas conseguimos, trabalhando como equipe, chegar à configuração ideal. Algumas pessoas vieram me dizer, depois, que a casa era perfeita para a festa, que parecia ter sido construída para isso. Se elas soubessem o trabalho que deu chegar lá…

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Decoração é a minha praia, e eu achava que ia conseguir fazer sozinha. Mas minhas assessoras sabiamente me aconselharam a contratar uma decoradora, e foi a sugestão mais certeira que elas fizeram. Eu queria aproveitar os móveis e objetos da casa, para que a decoração ficasse mais personalizada e para economizar, e ela fez o melhor uso possível de tudo. Ficou tudo muito delicado, como eu queria, com toques especiais, como o tanabata (árvores onde foram pendurados recados dos convidados para nós, os noivos), as lanternas japonesas em cima do jardim japonês, a cortina de tsurus (origamis de cegonhas, que significam boa sorte e felicidade) e o teto de lâmpadas bolinhas. Eu não queria muitas flores, apenas arranjos pontuais, com as flores da época e hortênsias, minha única exigência, e ficou exatamente como eu queria. O jardim japonês, aliás, não existia antes do casamento. Ele estava no projeto da minha mãe, mas depois de 17 anos ainda não havia sido executado. Meu pai aproveitou a oportunidade e criou o jardim que a minha mãe queria, e ainda instalou uma placa homenageando-a. Muito amor.

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A participação da nossa família e dos nossos amigos, aliás, foi essencial. Meu pai e a namorada dele cuidaram de tudo que dizia respeito à casa, minha sogra e cunhada organizaram o chá-bar, minha tia fez os noivinhos que hoje enfeitam minha penteadeira. Tivemos uma projeção na festa, que tocava, em looping, uma sequência das nossas cenas românticas favoritas do cinema, e quem montou a sequência foi um dos padrinhos. Esse mesmo padrinho e uma das minhas madrinhas foram os responsáveis pela cerimônia. Nós não somos religiosos e queríamos uma cerimônia pessoal. Achamos que a melhor opção seria pedir a dois amigos queridos, que nos conhecem bem e testemunharam nosso amor desde o início, que fizessem esse papel. E foi emocionante. E engraçado. Essa mesma madrinha, aliás, junto com sua sócia, fez meu cabelo e maquiagem, bem como a das outras madrinhas e da minha sogra. Acho que o dia da noiva não poderia ter sido melhor.

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E falando em dia da noiva, tem a história do vestido. Eu comecei a procurar o vestido com muita antecedência, um ano, mais ou menos. Eu não sabia exatamente o que queria, então experimentar vestidos prontos foi bom para entender melhor o que ficaria bem em mim e o que tinha mais a minha cara. Como não achei nada que tivesse amado, decidi conversar com algumas estilistas que fazem vestidos exclusivos. Das três com quem conversei, só uma entendeu exatamente o que eu queria e fez um desenho apaixonante. O processo durou seis meses, com provas mensais, e foi uma delícia, apesar de ter me deixado bastante ansiosa. Mas isso já era esperado.

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Outros itens menores, como bolo, bem-casados, convites, caligrafia, terno do Marcelo, lapelas, sapatos dos dois, peça de cabeça, buquê, site, lista de presentes, alianças e noite de núpcias, que aparentemente dariam menos trabalho, demandaram bastante dedicação, porque eu sou como sou, e todo mínimo detalhe importava. O bolo, acima de tudo, tinha que ser gostoso. Eu não queria um bolo enorme e a decoração tinha que combinar com o clima mais rústico da festa, então acabamos decidindo pelo naked cake, que ficou lindo com os noivinhos da minha tia e até saiu na UOL. Os bem-casados foram nossa lembrancinha, porque eu adoro uma lembrancinha comestível, e nosso orçamento não permitia grandes extravagâncias nesse setor. Até ele deu trabalho, porque tem que escolher a cor do papel e da fita, mas combinou demais com as galhadas de cerejeira e os porta-retratos com fotos nossas (aquelas do ensaio do save the date) que enfeitavam o aparador. Os convites eu queria que fossem modernos e atípicos, e escolhi uma empresa que faz letterpress. Acabei eu mesma fazendo o design, e o toque especial foi o selo de cera que nós mesmos aplicamos. O terno do Marcelo foi a escolha perfeita. Fugimos do lugar comum e eu acho que nunca o vi tão elegante como naquela dia. Para a lapela do Marcelo, uma suculenta. Para meu pai e os padrinhos, trigo. Queria fugir do convencional. O sapato dele foi fácil, o meu foi difícil. Foi uma tarde inteira batendo perna na Oscar Freire para achar o sapato na última loja da rua. E eu ganhei até uma sapatilha de brinde, quer escolha mais acertada? Minha peça de cabeça era perfeita. Deu trabalho porque tive que fazer uns ajustes e a pessoa que fez a peça atrapalhou bastante o processo, mas no fim fiquei satisfeita com o resultado final e até hoje tenho vontade de usá-la. Para o buquê, eu queria algo mais orgânico, com uma mistura inusitada mas harmoniosa de flores, que complementasse o vestido e refletisse o clima da festa. O site criei no wordpress e apesar de ter tomado bastante tempo, foi ótimo, principalmente para as listas de presentes, porque eu acho de muito mau gosto colocar cartãozinho de loja no convite. As listas de presentes, que teoricamente deveriam ser uma parte simples e divertida, deram um trabalho enorme. Fizemos tudo online, e alguns sites não ajudaram muito, apesar de terem cumprido o serviço bem. Por outro lado, tive vários problemas com as entregas da Fast Shop, por exemplo, que é o tipo de coisa que você não imagina que vai ter que lidar durante a organização de um casamento.

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No fim, acho engraçado que tenhamos investido tanto tempo fundindo nossas cabeças com detalhes que podem até ter passado despercebidos. Mas, no final das contas, é o conjunto que faz algo ser especial. Fora isso, foi um processo estressante, mas maravilhoso. Até hoje tenho saudade daquela época, e sei que foi uma oportunidade única que tinha que ser aproveitada ao máximo. Conhecemos pessoas especiais, que traduziram nossas expectativas e milhões de referências em realidade, compensamos noites mal dormidas com as alegrias que acompanhavam uma tarefa cumprida, tivemos boas ideias, desistimos de algumas, amadurecemos outras, realizamos a maioria. Pode não parecer, mas organizar um casamento dá muito trabalho, e exige dedicação sete dias por semana. São dezenas de reuniões com fornecedores, botar a mão na massa quando há itens DIY, como no nosso caso, perder muitos fins de semana e se estressar com todos os problemas que certamente vão surgir. Mas também é muito gratificante ver a realização de todo o planejamento, ouvir os comentários que se seguem depois da festa e criar memórias que ficarão vivas para sempre.

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