Oscar 2015: impressões e divagações

Oscar 2015

Nesse ano eu estava particularmente empolgada com a cerimônia de entrega do Oscar. Por nenhum motivo especial. Aliás, tenho sido relapsa e não havia assistido a vários filmes que concorriam nas categorias principais, inclusive. Morar no Brasil é um pouco mais complicado, porque se torna necessária uma corrida contra o tempo para assistir a tudo que já estreou em circuito comercial. E eu não estava tendo tempo e disposição. 

Sempre faço apostas mentais, e achei esse ano bem previsível, mas também um ano bom. Não discordo de quem considera a cerimônia chata e longa, mas me surpreendo com aqueles que ainda fazem essa crítica. Minha timeline do Facebook estava lotada de opiniões, e muitas delas choviam no molhado. Assisto ao Oscar há pelo menos 15 anos e sempre foi assim. Eu preferiria, aliás, que os números musicais não fossem resumidos. Isso é patético! Se é para eles existirem, que existam integralmente. Ou que cortem de vez. É claro que eu não me importei nem um pouco de ver uma versão menor, ainda que insuportável, de Everything is Awesome, a canção que concorria por The Lego Movie (Uma Aventura Lego) , um dos maiores absurdos desse ano, diga-se de passagem. Mas eu esperei muito para ver Lost Stars, que concorria na mesma categoria por Begin Again (Mesmo Se Nada Der Certo), minha favorita da categoria. Independentemente da performance (ou do vestido) de Lady Gaga, convenhamos, aquele número era desnecessário. E teria poupado tempo de forma mais justa que cortando as músicas concorrentes pela metade.

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A previsibilidade dessa cerimônia estava na maior parte das categorias, mas também no seu resultado como show. É claro que um nome como Neil Patrick Harris para apresentador empolga, mas passada a surpresa, lembramos que se trata do Oscar, e que há protocolos a serem seguidos. Se um pouco de nudez causa um certo frenesi, e funciona enquanto comédia e referência ao vencedor Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance [Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)], há limites que o apresentador deve respeitar, assim como o fez Seth McFarlane, que tinha um potencial muito mais inovador que Neil, e no entanto teve uma atuação decepcionante. Também me surpreendeu que tantos reclamassem do apresentador desse ano. Eu não esperava nada além do que ele entregou.

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Sobre as injustiças, considero que essa discussão está capenga, e que se alguém ainda acredita na possibilidade de as escolhas dos membros da Academia serem mais acertadas, está vivendo num mundo cor-de-rosa. Não que eu também não me revolte, mas, em primeiro lugar, não há justiça porque as escolhas são subjetivas, e não regidas por uma ciência exata. Há absurdos e discrepâncias, sim, como há opiniões divergentes, falta de seriedade e excesso ou falta de lobby, mas isso todo mundo já está careca de saber.

Birdman The Grand Budapest Hotel Boyhood

Diferentemente dos últimos, nesse ano eu não achava que havia muito espaço para erro. Dentre os favoritos, nenhum me desagradava por completo, como costuma acontecer. Na categoria de Melhor Filme, por exemplo, eu ficaria satisfeita tanto com Birdman quanto com Boyhood (Boyhood: Da Infância à Juventude). Apesar de não gostar de tudo que Inárritu fez, tiro meu chapéu para Birdman e, apesar de não gostar tanto de Boyhood, considero que o prêmio valeria pelo conjunto da obra de Linklater até hoje. Ficaria feliz, também, por The Grand Budapest Hotel (O Grande Hotel Budapeste), que eu gosto, mas não acho espetacular e nem o melhor filme de Wes Anderson, de longe, apesar do visual incrível (marca registrada do diretor). E isso se estende a outras categorias. Gostaria que Interestelar e Garota Exemplar tivessem tido mais reconhecimento, mas aprecio o fato de filmes autorais terem sido os grandes vencedores da noite.

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De uma forma geral, fiquei bastante satisfeita com os resultados. Babei nos looks de Rosamund Pike, Emma Stone, Lupyta Nyong’o e Oprah Winfrey, aplaudi mentalmente os discursos de Patricia Arquette, Pawel Pawlikowski (diretor de Ida), Julianne Moore e Grahan Moore (roteirista de The Imitation Game), achei graça na piada de Sean Penn ao anunciar o prêmio de Melhor Filme e, mais importante, consegui ficar acordada, tirando um leve cochilo durante a entrega do prêmio de ator. Saldo positivo em 2015.

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