Diário de bordo: Orlando – Parte 1

Rei Leão

Lá pelos meus 12 anos de idade, conhecer a Disney era um dos maiores objetivos da minha vida. Ainda muito nova para viajar sozinha, mas já capaz de encarar uma excursão com minha prima, da mesma idade que eu, decidimos que ir para a Disney poderia deixar de ser sonho e passar a ser plano.

Na época, com fontes de informações limitadas, o máximo que eu consegui fazer foi comprar uma revista na banca de jornal que acompanhava um VHS. Mas já era o máximo, para mim. Poder ver aquele mundinho em vídeo, e não só em fotos, era suficiente. Planejei o que pude, pesquisei agências de turismo que levavam crianças, mas tive meu sonho adiado. Meus pais eram bem tranquilos, e já tinham pré-concordado com a viagem. Tudo ia depender de como a excursão seria e quanto ela custaria.

Os meus tios não eram tão tranquilos assim, ou era essa a imagem que eu tinha do que minha prima contava, e ela acabou desistindo antes mesmo de consultá-los, com medo de levar um “não!”. Meus pais achavam que minha irmã era muito nova (ela tinha 10 anos) para ir comigo e eu acabei sem companhia para realizar meu sonho.

Mais ou menos um mês depois, minha prima veio com a notícia bombástica: o pai dela havia planejado uma viagem para a Disney, ele, ela e o irmão. Frustrada, com uma certa inveja e raiva, acho que enterrei esse sonho bem fundo e nunca mais cogitei essa possibilidade.

É engraçado como nossa mente funciona, porque mesmo muito tempo depois, com os amiguinhos indo para lá e mil ofertas desfilando na minha frente, nunca mais me empolguei com a ideia de ir para lá. Não é bem que alguém tenha oferecido a viagem e eu tenha recusado, mas sempre que pensei em possibilidades de viagem, dali em diante, nunca mais foi para a Disney.

Chegou a ser uma sugestão de lua-de-mel, por exemplo, mas foi logo descartada. Meu marido já tinha ido para lá duas vezes, e ele tinha muita vontade de ir comigo, mas acabamos decidindo que tínhamos outras prioridades. Claro, você pode pensar: eu fiquei adulta e ir para a Disney já não era mais tão atraente. Sim, criou-se uma barreira de idade, mas tenho certeza que rolou um trauminha naquele “não!” não dito nos meus 12 anos.

Eis que, 17 anos depois, surge a oportunidade de ir para lá, com meu marido, sogra e cunhada. A vontade era passar Natal e Ano Novo lá, mas por conta dos valores, decidimos que seria melhor deixarmos para o ano seguinte, e termos mais tempo para nos planejarmos. Durante esse um ano, mergulhei no mundo Disney e Orlando para planejar a viagem perfeita e tentar aproveitar tudo o que eu não tinha conseguido aproveitar enquanto criança. (Você pode ler sobre como planejar uma viagem para Orlando aqui.)

Em dezembro do ano passado, enfim, viajamos.

Na sexta-feira, dia 13, eu e o Marcelo (marido) trabalhamos. À noite, tínhamos que fazer as malas, fazer a mala da Nina, que ia passar as duas semanas no sítio da minha sogra, deixar a casa em ordem (tirar lixos, esvaziar a geladeira, fechar o gás, os registros de água, desligar a chave de energia) e viajar por uma hora para o sítio. Foi puxado. A van ia nos pegar no sábado muito cedo e eu estava bem apreensiva com a Nina ficando longe da gente.

Minha cunhada me perguntou se eu já estava de férias e eu respondi que só estaria de férias quando as malas estivessem despachadas. Porque mala e aeroporto devem estar entre as coisas mais chatas do universo. E mesmo com as malas despachadas, não consegui relaxar. Estava feliz a beça, mas meu planejamento para a viagem tinha sido tão minucioso e tinha exigido tanta dedicação que eu acho que não consegui relaxar 100% em nenhum momento da viagem. Lição a ser aprendida.

A CHEGADA

No primeiro dia, estava moída, mas feliz. A excitação de estar num lugar desconhecido, mas tão familiar, ao mesmo tempo, é um dos sentimento que melhor descreve as delícias de uma viagem. O quarto que recebemos não era o que tínhamos reservado, mas meu iPhone encomendado já estava me esperando no hotel; não conseguimos jantar no restaurante que eu tinha reservado (é roubada reservar restaurante no dia de chegada, sei disso agora), mas comemos bem e barato num Olive Garden bem perto do hotel.

Logo de cara, fiquei surpresa com o tamanho dos pratos. Minha side salad (salada de acompanhamento) veio numa tigela para servir 4 pessoas, sem brincadeira. Passamos no Walmart e eu tive que me conter, porque já era tarde e precisávamos de cama. Comprei os itens de primeira necessidade: produtos de higiene pessoal, que nunca levo, um pote de Ben & Jerry’s, óbvio, uns packs de cerveja Blue Moon super baratos e isqueiros. Primeira necessidade.

PRIMEIRO DIA: PEACH VALLEY, COMPRAS NO FLORIDA MALL E CUBA LIBRE!

No dia seguinte, para nos prepararmos para as compras do dia, tomamos café-da-manhã no Peach Valley, em Dr. Phillips. O primeiro café da manhã americano de uma viagem, veja bem, é MUITO importante, e começamos bem. Pedi Eggs Benedict e Buttermilk Pancakes. E tomei muito café aguado. E de tão boa que estava a comida, mal senti falta do nosso espresso brasileiro.

 Peach Valley 2 Peach Valley

Alimentados o suficiente para ir para a guerra, seguimos para o Florida Mall. Ele é imenso e gastamos bem um dia todo lá. Comprei chip, capinha e película para o celular, fiz piadinha com a atendente da Apple (e me orgulhei disso), me perdi na CVS e experimentei perfumes na Sephora. Tenho duas manias em viagens, a primeira eu adotei a três viagens atrás e a segunda, nessa para Orlando. A primeira é de comprar um perfume para usar na viagem, assim, sempre que o uso quando volto para casa, lembro do passeio tal, do jantar tal, da viagem, enfim.

A segunda é mais clichê, muita gente faz e é meio brega, confesso, mas começamos a colecionar ímãs de geladeira dos lugares que visitamos. É um jeito divertido de lembrar desses momentos importantes sempre. Então, tentei botar em prática a mania 1 e levei pra casa três amostras de perfumes para o verão, já que não consegui me decidir no dia: Emporio Armani She, Dolce & Gabbana 3 L’Imperatrice e My Burberry.

Nesse dia também tínhamos reserva para jantar, e para minha angústia, ao sairmos do shopping pela entrada pela qual supostamente entramos, não encontramos nosso carro. Andamos por uma boa meia hora antes de concluir com certeza absoluta: tínhamos sido roubados. Já com telefone a postos, procurando o contato da locadora, demos de cara com um segurança do shopping, dirigindo dentro do estacionamento. Abordamos o segurança e contamos o ocorrido.

Era um senhorzinho muito simpático, que estava justamente ajudando uma senhora a encontrar o seu carro. Ele tinha certeza de que o carro não tinha sido roubado e pediu que esperássemos até que ele atendesse a senhora que estava com ele. Ele voltou logo, e quando entramos no carro percebemos que interrompíamos o seu jantar. Pedimos desculpas, e ele devolveu, desculpando-se por ter que jantar na nossa frente. Explicamos onde havíamos estacionado e ele explicou que a loja pela qual entramos tinha três e entradas, e não duas como achávamos. “Ahhhhh”, falamos juntos. E lá, em frente à terceira entrada, estava o nosso carro.

Acho que essa foi a primeira coisa que gostei de Orlando. Em geral, as pessoas são muito solícitas, educadas e simpáticas. Eles conversam com você, conversam entre si, fazem de tudo para não invadir o seu espaço e se desculpam por tudo, até quando não tem motivo para tal. Fico pensando: nós, brasileiros, somos conhecidos por nossa simpatia e pela forma calorosa como nos tratamos. Só que eu não vejo isso na prática. Talvez eu tenha uma opinião prejudicada por morar na cidade de São Paulo, e assumo que já visitei lugares no Brasil muito mais hospitaleiros. Mas, ainda assim, fico triste em concluir que somos muito mal-educados, e, pior, estamos acostumados com isso. A ponto de ficarmos surpresos quando as pessoas são apenas… Educadas.

Perdemos a reserva, mas fomos jantar mesmo assim, na esperança de conseguirmos uma mesa. E conseguimos! O restaurante era o Cuba Libre!, que fica na International Drive, no Pointe Orlando, um centro comercial high end. A reserva era para 21h, chegamos às 22h e explicamos a turistagem. Fomos super bem recebidos pelo nosso garçon, que explicou os pratos atenciosamente, e sugeriu excelentes bebidas. O restaurante impressionou, a começar pela ambientação. A impressão que se tinha era a de estar ao ar livre, numa vila cubana, graças à ótima cenografia e à meia-luz.

Comecei com uma margarita de coco, que estava sensacional. De entrada, pedimos, para dividir, o Ceviche Mixto, com coquetel de camarão com salsa de avocado e ceviche de atum com molho de coco, gengibre e jalapeño e escabeche de cebola roxa, e Barrio Chino Chicken Wings, asinhas de frango envoltas em molho barbecue, saladinha de picles de quiabo e molhinho doce de pimenta. Estava tudo delicioso, especialmente o ceviche de atum.

Como prato principal, já que minha vontade era maior que minha barriga, pedi o Visit to Havana, um prato enorme de amostras da culinária cubana: sanduíche cubano prensado (lombo de porco marinado em laranja, salame, presunto, provolone, queijo suíço, picles de pepino e mostarda amarela), sopa de feijão preto, salada e chips de banana-da-terra. O sanduíche estava sensacional (e eu já vinha sonhando com ele a tempos), a sopa, um pouco sem-graça, a salada, nada memorável, e os chips, incríveis.

Cuba Libre

Para finalizar, aceitei a sugestão do garçon e pedi um café cubano, um espresso com muito açúcar, que foi bem tirado, mas muito doce para o meu gosto. O cardápio do Cuba Libre! é grande e inclui um menu degustação, que eu certamente provarei em outra ocasião.

SEGUNDO DIA: TROCA DE QUARTO, COMPRAS NO INTERNATIONAL PREMIUM OUTLETS E BUBBA GUMP

Na segunda-feira, tínhamos no roteiro a visita ao maior e mais antigo parque da Disney World, o Magic Kingdom. Para entrar no clima, é realmente ideal começar por ele, mas por conta de uma troca de quarto inesperada, acabamos perdendo a manhã inteira e adiamos nossa ida. Fizemos um almoço rápido no Wendy’s, um dos meus fastfood trash favoritos, e fomos conhecer o International Premium Outlets. O lugar é uma perdição. É bom ir focado para não se perder fisicamente ou na fatura do cartão de crédito no mês seguinte.

Acabamos nos atrasando (de novo!) para o jantar e ao invés de conhecer o Emeril’s do CityWalk, comemos no Bubba Gump. Foi uma boa surpresa. A decoração é fantástica, e você se sente transportado para outro lugar, de verdade. O atendimento foi incrível, um dos melhores de toda a viagem. Nosso garçon era divertidíssimo e interagia muito com a gente, sem nos sufocar. Meu prêmio de simpatia vai para ele, definitivamente. A comida ficou um pouco a desejar, infelizmente.

Comecei com uma CoronaRita, uma margarita com Corona, que por conta da forma como é servida, começa deliciosa e termina com mais cerveja do que deveria. Vale pelo fator diversão. De entrada, pedi um Shrimp Shack Mac & Cheese, macarrão com queijo e pedaços de camarão. Eu amo mac ‘n’ cheese, e esse estava a altura do meu amor, com pedaços graúdos de camarão no ponto certo de cozimento. Depois, pedi o Shrimp New Orleans, camarões assados em manteiga, alho e tempero especial servidos com arroz de jasmim. O prato estava correto, apenas.

Bubba Gump 2 Bubba Gump

Notem que até agora, não consegui provar nenhum sobremesa. Apesar de já ter entendido, nesse ponto, que os pratos são bem grandes se comparados ao nosso padrão, a vontade de experimentar entradas era maior que minha racionalidade, e a essa altura eu já tinha uma pequena coleção de marmitinhas na geladeira do hotel.

TERCEIRO DIA: BOMA, ANIMAL KINGDOM, TUSKER HOUSE E JIKO

Na terça-feira, começamos com nosso primeiro café-da-manhã Disney. Para quem tem vontade de conhecer os restaurantes mais bacanas de lá, mas não quer gastar fortunas, recomendo que faça pelo menos um café da manhã num dos restaurantes dos hotéis de luxo. Além de bem alimentado, você vai aproveitar a refeição mais gostosa do dia, e se bobear nem vai precisar almoçar. A escolha do dia, para ficarmos próximos do Animal Kingdom, foi o Boma, que fica no Animal Kingdom Lodge, um dos hotéis mais bacanudos de lá. O lobby é imponente e tinha uma árvore de natal imensa.

Animal Kingdom Lodge

A decoração e atendimento do restaurante são ótimos, mas a comida é o forte, sem dúvida. Apesar do sistema self service, tudo é fresco e quentinho. Para os mais aventureiros, há uma seção de carnes com molhos apimentados, de inspiração africana. Mas há também ovos, omeletes, bacon, sausage (linguiça fininha e bem condimentada), mingau de aveia, salmão defumado, pães, panquecas, cereais, frutas, Mickey Waffles, os waffles mais lindos e gostosos do planeta, e o melhor do buffet, French Toast Bread Pudding (uma espécie de pudim de rabanada, mas menos pudim e mais pão) com Pecan Praline Sauce (calda de caramelo com nozes pecã). Eu poderia comer isso, e só isso, ainda mais com a falta de açúcar na minha alimentação dos últimos dias.

Boma

De lá, pegamos um ônibos para o Animal Kingdom, o primeiro parque da viagem. Deixamos o carro no estacionamento do hotel porque nosso jantar também seria lá. Minha expectativa era alta, mas o Animal Kingdom não é um parque tão impressionante como os outros. Na ocasião, havia alguma manutenção em curso, e boa parte do lago central estava bloqueado por tapumes, o que estragou um pouco a magia. Os atrações que mais recomendo:

Expedition Everest: uma montanha-russa bem radical para os parâmetros da Disney, que tem brinquedos mais tranquilos. É uma atração relativamente nova, a ambientação das filas é muito bem feita e recomendo fortemente que você agende no FastPass +, porque é uma das mais concorridas do parque.

It’s Tough to Be a Bug: um filme 4D, muito divertido e engraçado, baseado nos personagens de Vida de Inseto. A atração fica dentro da Árvore da Vida, vale a pena prestar atenção no caminho por dentro dela.

Finding Nemo – The Musical: um show fofo, que conta a história de forma bem resumida – e um pouco corrida demais –, mas com visual lindo, que me lembrou muito o musical O Rei Leão.

Menção honrosa para Flights of Wonder e Dinosaur. O primeiro é um show com aves diversas, inclusive de rapina, sendo lideradas por uma treinadora que apresenta o show. Pela forma como os truques são apresentados, imagino que elas sejam brem tratadas, até porque o reforço positivo demanda que haja uma relação de confiança entre animal e treinador, por isso recomendo o show sem medo.

O segundo é uma atração mais radical, no escuro, com sustos e dinossauros. É legal começar por ele porque não é um brinquedo tão radical assim, e pode decepcionar um pouco se você já tiver passado por montanhas-russas mais sérias, como as da Universal, por exemplo, ou mesmo a Expedition Everest.

Almoçamos dentro do parque para ganhar tempo, no Tusker House. Apesar de ter reserva, havia fila para fazer o check in e uma espera de uns 15 minutos. Por isso, se não tiver reserva, acho que não vale a pena tentar comer lá. A ambientação é fantástica, especialmente do lado de fora. Fique atento aos detalhes. Há um enorme e variado buffet, mas eu não achei a comida nada de especial. Meus favoritos foram as saladas de quinoa e couscous, o ensopado de frutos-do-mar com molho barbecue de tamarindo e o arroz basmati com limão, canela e cardamomo.

Tusker House

Há uma variedade grande de sobremesas, eu experimentei várias e não gostei de nenhuma. Estavam todas insossas. Foi o primeiro restaurante em que recebemos alguns personagens na mesa (se não me engano, Donald, Margarida e Minnie), e fiquei um pouco sem reação no começo, mas ao ver que as pessoas se empolgavam muito com as visitas, acabei entrando no clima. É mais divertido do que parece!

Voltamos para o Animal Kingdom Lodge para jantar no Jiko – The Cooking Place, um restaurante com inspirações africanas. Pedi como entrada, para dividir, o Tastes of Africa, que consistia em uma seleção de pães deliciosos e pastinhas mais deliciosas ainda. Em seguida, pedi uma das minhas comidas favoritas: vieiras. O nome do prato é Senegal Scallops. As vieiras vieram levemente seladas e suculentas, acompanhadas de salada de feijão fradinho, tomates heirloom e um caldo de frutos-do-mar. Mesmo leve, por ser um prato super bem servido, me privei de sobremesa novamente.

Jiko

O serviço foi excelente. Pedi uma sugestão de vinho africano para acompanhar o prato e gostei tanto da taça que pedi uma garrafa, mas não dei conta. E ela foi fazer companhia para a minha coleção de marmitinhas na geladeira do hotel.

QUARTO DIA: HOLLYWOOD STUDIOS, SCI-FI DINE-IN THEATER E 50’S PRIME TIME CAFÉ

O Hollywood Studios foi um dos parques que mais gostei, provavelmente pelo meu amor pelo cinema, mas também porque tudo nesse dia contribuiu para que ele fosse perfeito. A chegada foi calorosa. Além da costumeira simpatia de todos os funcionários, fomos, digamos, abordados por um personagem muito peculiar. Ela era apenas uma dessas aspirantes a estrela de cinema dos anos 40 ou 50 que caminhava pela Hollywood Boulevard, e dava um jeito de entrar em fotos alheias na maior cara-de-pau. Era engraçado observar a reação das pessoas, principalmente quando eram pegas de surpresa.

A forma como os cosplays se apresentam, aliás, é sensacional. São todos muito verossímeis, o que torna uma coisa aparentemente simples em algo muito especial – minhas preferidas, de longe, foram a madrasta e irmãs postiças da Cinderela, no Magic Kingdom.

Visualmente, o parque é deslumbrante. As fachadas das lojas na Sunset Boulevard são incríveis, e as Streets of America, especialmente a parte nova iorquina, são muito bem feitas – gostei mais que o equivalente na Universal Studios.

Nosso almoço foi no Sci-Fi Dine-In Theater, um restaurante cujo cenário imita um drive in antigo, com direito a telona, céu estrelado e mesas em formato de carros. O cardápio é um pouco limitado, e a especialidade são os hambúrgueres – muito bons, por sinal. Experimentei o Build-Your-Own Chuck Angus Burger, com cheddar, bacon, alface, tomate e fritas e o de-li-ci-o-so Sci-Fi Specialty Shake, um milk-shake de menta com crocante. Vale muito a pena conhecer, menos pela comida e mais pela experiência. É recomendável fazer reserva.

Sci-Fi Dine-in Theater

O jantar também foi dentro do parque, no muito esperado 50’s Prime Time Café. O lounge do restaurante é a reprodução perfeita de uma casa americana da década de 50, com cores, texturas e formas que te transportam para aquela época. A experiência começa ao te chamarem para a sua mesa: o atendente chama você por “primo”, como se você estivesse visitando sua família para jantar.

As mesas ficam na cozinha da casa, e é possível sentar numa mesa com TV que transmite programas dos anos 50, inclusive. O garçon, seu “tio”, briga com você se coloca os cotovelos na mesa, se não come tudo e se não lavou as mãos antes. A bronca pode ser mais discreta ou pode envolver uma elaborada humilhação pública, o que, para alguns pode ser vergonhoso ou irritante, mas pode ser, como foi para mim, hilário.

Dessa vez, dispensei a entrada e fui direto ao prato principal, Gradma’s Chicken Pot Pie: uma mistura cremosa de frango, cebola, cenoura, salsão, ervilhas, cogumelos e queijo coberta por massa folhada. Comfort food no seu melhor estado. Quentíssimo, rico e bem servido. Não consegui comer tudo e só não levei bronca porque levei o que sobrou para a viagem. Para beber, me entregando ao clima lúdico, pedi um Mickey’s Bee Bop Drink, uma Sprite sabor cereja que vinha com um cubo de gelo que mudava de cor, servido num copo que levei para casa de lembrança. Pense numa criança feliz!

A noite fechou com chave de ouro: o Fantasmic!, uma das atrações que mais gostei no Hollywood Studios e em toda a Disney. Veja aí a lista dos favoritos:

Rock’n’Roller Coaster Starring Aerosmith: uma montanha-russa interna, praticamente no escuro, que dispara em alta velocidade na partida. É um dos brinquedos mais radicais de todos os parques da Disney.

Indiana Jones Epic Stunt Spectacular!: o show clássico da Disney vale cada minuto. Apesar de antigo, é impressionantemente bem coreografado e muito divertido. As interações com a plateia e as participações especiais encarregam-se do tom cômico.

Fantasmic!: o show inclui pirotecnia e efeitos visuais deslumbrantes. Foi o primeiro show de encerramento a que assisti lá, e me marcou demais. Como em muitos momentos nessa viagem, fiquei me perguntando como algo tão mágico pode se concretizar com tanta precisão. Deu vontade de chorar, de tão emocionante.

The Twilight Zone Tower of Terror não entra na lista de preferidos porque ficou aquém das minhas expectativas. A ambientação é fantástica, mas eu esperava algo muito mais radical. Depois de experimentar alguns brinquedos você começa a entender que nada vai ser tão assustador ou dar tanta agonia e frio na barriga nos parques da Disney, e que há de se esperar outro tipo de emoção lá.

QUINTO DIA: EPCOT, BEACHES & CREAM SODA SHOP E YACHTSMAN STEAKHOUSE

Eu estava bastante empolgada para conhecer o Epcot, a despeito da opinião do meu marido de que era o parque mais chatinho da Disney. Tínhamos reservado dois dias para o Epcot, e nesse primeiro ficamos apenas no Future World, a parte mais educativa. Algumas atrações não couberam nesse dia e deixamos para conhecê-las no segundo dia de Epcot, onde passaríamos a maior parte do tempo no World Showcase. Minhas atrações favoritas desse dia:

Turtle Talk with Crush: literalmente uma conversa com Crush, a tartaruga centenária de Procurando Nemo. Em frente a um telão, a plateia faz perguntas para Crush, que as responde ao vivo, impressionando não só as crianças, mas os adultos também. Primeiro, porque a animação e sincronização são muito bem feitas, e por alguns momentos você realmente acredita que aquela tartaruga animada está respondendo por conta própria. Segundo, porque o ator que interpreta Crush e responde às perguntas tem um timing maravilhoso e te faz rir alto.

Spaceship Earth: um passeio no escuro que conta a evolução das comunicações humanas. Uma das coisas mais legais dessa atração é a interatividade. Durante o passeio, você faz algumas escolhas sobre como gostaria que fosse sua casa e cidade do futuro. No final do passeio, é possível visualizar e enviar para o seu email um vídeo, que recorta seu rosto de uma foto tirada durante o passeio e cola na animação da sua casa no futuro. É bem engraçado.

Soarin’: um simulador de voo que sobrevoa a Califórnia, com projeção de imagens, cheiros, vento e chuva. É o tipo de atração que dá frio na barriga, mas de um jeito bem tranquilo e gostoso, e que dá vontade de repetir várias vezes.

The Seas with Nemo and Friends é um passeio que passa por uma mistura de cenários, projeções e um aquário. A forma como os personagens animados são projetados na água com tanta perfeição ainda é um mistério para mim. Gostei da atração, especialmente da entrada, onde as gaivotas barulhentas te dão boas-vindas. O ponto baixo para mim, e que tira ela da lista das favoritas, é o aquário. Havia um golfinho nele, e me cortou o coração, praticamente arruinando toda a experiência que eu tinha acabado de ter.

Depois de assistir a “Blackfish: Fúria Animal” (Blackfish, 2013), minhas convicções em relação a cativeiros de animais só se intensificou, especialmente se for para fins de entretenimento, meramente. Enfim…

Outra atração que gostei, mas não entrou para a lista, é Mission: SPACE. Os avisos sobre os perigos do brinquedo são alarmantes, e eu estava apavorada um pouco antes do início, apesar de desconfiar que fosse excesso de precaução. No fim das contas, o simulador de lançamento de foguete (ou simulador de simulador usado em treinamento de astronautas) é muito divertido (Quem não ia querer experimentar isso?), o problema é que algo dentro de mim não concordou. Não sei se foi o labirinto ou o estômago. Por sorte, a tontura/enjoo não durou muito e ficou a lembrança daquela sensação bizarrérrima (mas legal) que o simulador produz.

Nosso almoço foi no Beaches & Cream Soda Shop, no Beach Club Resort. Ele fica perto do parque, dá para ir a pé ou pegar uma balsa, perto da saída do World Showcase. Nós fomos de balsa e foi rápido porque não tinha fila. Nas primeiras e últimas horas do dia é mais demorado por causa da quantidade de pessoas chegando e indo embora.

O Beach Club Resort fica à beira de um lago, por onde transitam as balsas, e tem mesmo um clima praiano. Parece ser uma boa pedida para crianças, com as piscinas e tudo o mais. O Beaches & Cream é uma lanchonete pequena, por isso, é obrigatório fazer reserva para não perder muito tempo na espera, e super charmosa, com suas cores pastéis, seu clima de década de 50, jukebox e toda fofura decorativa a que se tem direito. A comida é muito boa, focada em lanches e, claro, sorvetes.

Pedi o Angus Beef Burger, com cheddar, alface, tomate e fritas, que era enorme e delicioso. Para beber, uma pink lemonade (limonada com suco de cranberry, ou oxicoco) para combinar com a decoração. E como eu TINHA que tomar sorvete naquele lugar, arranjei espaço para caber um Old Fashioned Sundae (meio, na verdade, porque dividi com o marido), com marshmallow, morangos, abacaxis, manteiga de amendoim, calda de chocolate e caramelo. YUM!

Minha vontade mesmo era provar a Kitchen Sink, literalmente um pia de cozinha, transbordando açúcar: 2 bolas de sorvete de baunilha, 2 de chocolate, 2 de morango, 1 de café, 1 de menta com chocolate, calda de chocolate, caramelo, manteiga de amendoim, abacaxis, morangos, bananas, muffin, chantilly, brownie, bolo branco, barra de Milky Way, 4 oreos, todos os tipos de confeitos da casa, marshmallow e cerejas. O resultado final não deve ser lá aquelas coisas, até porque, até comer tudo, a coisa já virou uma massaroca só, mas eu precisava fazer isso um dia, pelo feito, pelo menos. Uma mesa pediu enquanto almoçávamos, e eu vi ao vivo que a coisa dá medo, mas deve ser divertido, porque as meninas da mesa não pararam de rir o tempo todo enquanto comiam.

Beaches & Cream Beaches & Cream 2

Nosso jantar foi no hotel ao lado do Beach Club Resort, o Yacht Club Resort, no restaurante Yachtsman Steakhouse. Nosso almoço tinha sido tão substancioso que achei prudente dispensar o couvert (os couverts de todos os restaurantes em que comemos lá em Orlando foram cortesia), apesar de saber que os pães dos hotéis de luxo da Disney costumam ser sempre muito bons.

Também não pedi entrada e dividi um prato principal com o marido. Minha vontade era provar o 32-oz Porterhouse 21 day dry-aged. O porterhouse se parece com o T-Bone Steak (contra-filé e filé mignon), mas é mais alto, mais macio e com mais filé mignon. Essa versão dry-aged, que significa maturado a seco, no caso, por 21 dias (a maturação é feita no próprio restaurante) me instigou demais, mas 32-oz significam 910g, e mesmo para dividir em dois parecia um exagero naquela ocasião. Fomos de 18-oz Kansas City Strip Steak (contra-filé), que acompanhava batatas fritas trufadas, aioli de alho negro e chimichurri.

ara fazer render, pedi um acompanhamento extra: mac ‘n’ cheese trufado, que estava absolutamente delicioso, bem como a carne e todos os seus acompanhamentos. Além da comida de primeira, o atendimento foi corretíssimo: elegante, informativo e atencioso. Definitivamente é um lugar para voltar.

Leia as partes 2 e 3 dessa viagem!

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