Há um ano adotamos a Nina

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Faz exatamente um ano que a Nina passou a fazer parte da família. Eu sempre tive cachorro em casa, desde que nasci, e sentia falta. Acho que o passo natural depois do casamento é adotar um bichinho de estimação. Nada melhor para treinar para um futuro filho. Sei que muitos odeiam esse tipo de comparação, eu mesma já fui contra comparar um cachorro a uma criança, mas a verdade é que um cachorro é um filho mesmo. Ele é um ser que depende inteiramente de você, que não diz quando está com fome, dor ou tristeza, que demanda dedicação integral e gera gastos regulares, que você vai amar incondicionalmente, ter que educar e que vai te trazer muita alegria, apesar da trabalheira.

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Já fazia quatro meses que estávamos casados e quatro anos que morávamos juntos. A única razão que nos fazia não adotar um cachorro eram os gastos que viriam com ele. Com a vida um pouco mais estabelecida, decidimos que era hora. Eu já tinha tido uma boxer, uma pastora alemã e uma labradora (Sofia, a labradora, ainda é viva e mora com meu pai). Cachorros grandes eram a minha pegada, mas num apartamento de 60m² me parecia irresponsável criar um cachorro muito grande. Então, a primeira decisão foi adotar um cão de porte pequeno. Por conta de tudo o que pesquisei nos últimos anos, eu tinha certeza que queria adotar um cão que tivesse sido encontrado na rua, perdido ou abandonado. Por isso, a raça ou falta de não era importante. Queria uma fêmea porque sempre tive fêmeas, e algum padrão eu queria manter, até porque achava que com as novidades já viriam surpresas demais. Por fim, decidimos que queríamos um cão adulto.

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Os adultos são menos requisitados para adoção porque as pessoas tendem a achar que é mais fácil educar um filhote, e é mesmo. Um adulto abandonado vem cheio de traumas, medos, manias, e a Nina não é diferente. Confesso que hoje pensaria duas vezes antes de adotar um adulto abandonado, porque até hoje lidamos com a bagagem que ela trouxe consigo, mas não me arrependo. Naquele momento, eu queria um cachorro que tivesse menos chances de ser adotado. A outra vantagem era já sabermos que ela não cresceria mais, mesmo sabendo que é possível estimar o tamanho de um cão na idade adulta.

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Pesquisei bastante onde poderia procurar um cãozinho, mas no fim decidimos começar conhecendo um abrigo em Campo Limpo Paulista, onde minha cunhada havia adotado o cachorro dela. Uma senhora transformou a casa dela, com uma grande área ao ar livre, em um abrigo com canis que ela construiu aos poucos, para proporcionar espaço aos cães que ela encontrava na rua. Não sei como estão as coisas agora, mas na época, havia por volta de cem cachorros, e todos estavam muito bem instalados, alimentados e tratados. Ela se encarrega das castrações, vacinas e alimentação dos cães sozinha, apenas recebendo auxílio esporádico de amigos e conhecidos.

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Não tínhamos pretensão de adotar um cachorro naquele dia. Queríamos conhecer o lugar e conhecer os cachorros disponíves (muitos deles já fazem parte da família da dona do lugar e ela não disponibiliza mais para adoção). Afastada da cidade, a casa fica em uma estrada de terra e o movimento é bem pequeno. Por isso, ao tocar a campainha, fomos recebidos com uma sinfonia ensurdecedora de latidos. Ela atendeu a porta e disse que era assim toda vez que a campainha tocava. Entramos e fomos passando por diversas áreas, delimitadas por portões, que separavam uns cachorros dos outros. Por ficarem soltos, ela os separava criteriosamente para evitar acidentes. Todos pareciam muito saudáveis e a maioria ficou bem animada com a nossa visita. Gostamos de alguns, mas ou eram grandes demais, ou já tinham sido adotados por ela.

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Foi aí que ela disse: vou mostrar para vocês a poodlezinha. Sempre tive preconceito com poodles, achava-os barulhentos, encrenqueiros, chatos. Sempre soube que são considerados a segunda raça mais inteligente, ótima companhia, bons com crianças, cães de guarda e adaptam-se bem a apartamentos. Mas eu não estava muito animada com a ideia. Foi aí que vimos a Nina. Ela estava tosadinha e parecia um pouco assustada. A resposta dela aos nossos carinhos foi deitar de barriga para cima, e nesse momento me apaixonei. Descobri, tempos depois, que o Marcelo já tinha visto a Nina. Ela estava tomando sol, com brisa na cara, e quando ele se sentou, ao lado dela, ela se encostou nele. Ele se apaixonou por ela antes de mim.

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Sem nenhum dúvida, depois de apenas alguns minutos, estávamos decididos. A dona do lugar aplicou a segunda dose da vacina, separou um pouco de ração, deu a coleira com o pingente que tinha o telefone dela e nos falou que ela gostava de comer banana. Adorei a forma pessoal como ela trata os cachorros, a ponto de lembrar de detalhes mesmo com aquela quantidade de animais que tem para cuidar. Ela parecia feliz com a adoção, mas preocupada. Claro, tantos animais são abandonas pelos mais parvos motivos, é difícil julgar as pessoas em tão pouco tempo e ter certeza que o animal será bem tratado. No lugar dela, eu também me sentiria assim.

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Ela não parecia gostar de colo, e estava assustada com a situação. Mas no caminho de volta para o sítio da família, dormiu feito um anjinho. No caminho, passamos no pet shop para comprar os itens de primeira necessidade. Quando chegamos no sítio, a Nina foi recebida pelo Faísca, cachorro da minha cunhada, e foi amor à primeira vista. Ela comeu, tomou banho, conheceu o lugar, as pessoas, posou para foto, aprendeu o nome, tudo no primeiro dia. E ainda fez uma segunda viagem de carro, rumo ao lar. Obviamente a primeira providência foi se aliviar no tapete. Ela estava cautelosa, mas respondeu logo aos chamados de subir no sofá e na cama. E capotou do nosso lado enquanto assistíamos TV.

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É difícil descrever os primeiros momentos com ela, não por falta de memória, mas porque o significado que ela tem nas nossas vidas hoje é tão diferente do que tinha naquelas primeiras horas conosco que não consigo mais me imaginar não amando ela como a amo hoje. Tanto aconteceu, e tanto ela aprendeu e mudou, que não sei mais como era antes. Não consigo mais imaginar nossa casa sem ela, e por causa dela adotamos muitos bons hábitos que mudaram a nossa vida, como caminhar no parque todo dia. Todos os nossos costumes tiveram que se adaptar, desde o tempo que passamos fora de casa, até a forma como organizamos o nosso dia. A preocupação que temos com o seu bem-estar é muito maior que a que temos com nós mesmos, e acho que tudo isso é bem parecido com o que acontece quando nos tornamos pais, guardadas as devidas proporções. É como se fosse um simulado de vestibular.

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Com ela, surgiu a culpa de sair todo dia para trabalhar, o medo de não estar proporcionando o melhor. Chego ao cúmulo de ver se a barriguinha dela está mexendo quando ela dorme para saber que ela está viva e espirando. E graças a isso, sei que tenho um bom caminho na terapia pela frente antes de me tornar mãe. E o engraçado é que nunca senti o que sinto por ela pelas minhas outras cachorras. Não sei se é porque elas eram cachorras da família, e não minhas, exatamente, ou se porque as outras ficavam do lado de fora de casa, portanto nosso contato era muito menor, ou se, simplesmente, a Nina é mais especial. Apesar da mania de querer catar qualquer coisa na rua – normal para um cachorro que passou fome –, latir para barulhos externos e motos – ela ainda tem muito medo de certas coisas – e outras coisinhas obviamente frutos dos meses que ela viveu sem a gente, ela é MUITO inteligente, aprende rápido, é brincalhona, sociável e carinhosa que só. Meu preconceito com poodles foi por água abaixo e minha satisfação de saber que faço bem para um cão que sofreu por conta de humanos negligentes não tem preço. Vai por mim, adote.

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